Tag: felicidade
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Adam Zagajewski – Tente louvar o mundo mutilado

Tente louvar o mundo mutilado.Lembre-se dos longos dias de junho,dos morangos silvestres e das gotas de vinho rosé.Das urtigas que metódicas invademas propriedades abandonadas dos exilados.Você deve louvar o mundo mutilado.Você observou os elegantes iates e navios;um deles tinha uma longa jornada pela frente,enquanto o salino esquecimento aguardava os demais.Você viu os refugiados indo a…
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Ada Limón – Antes

Descalça, com um capacetevermelho reluzente, eu iana garupa da Harley do meu paiaos sete anos de idade.Antes do divórcio.Antes do novo apartamento.Antes do novo casamento.Antes da macieira.Antes das cerâmicas na lixeira.Antes da corrente do cachorro.Antes que todas as carpas fossem comidaspela grou. Antes da estradaentre nós, havia a estradaembaixo de nós, e eu era grande…
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E. C. Belli – Revelação

Eu escapei do granito foscoe alcancei seu rosto caçandoem algum tipo de território inóspito.Que estranho campo de jogo é esteque deixa seu oponente derrotadoe desesperançado assim. É da alegria que precisamospara temperar toda essa revelação da verdade.Talvez mentiras sejam o melhor caminho.Talvez mentiras não sejam realmente tão ruinsquanto parecem ser. Penso que honestidadeé apenas uma…
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Daniel Faria – Infância

e jogava o pião com Deusenquanto minha mãe estendia roupae o meu pai mendigava o pão e minha alegria nesse tempoera muito próxima da dos meninose de Deus que ganhava sempre e não sei quem perdi primeiro: o pião ou Deusapenas sei que Deus continuaa jogar com outros meninos e que no Outono quando saio à…
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Ian Hamilton – Última Valsa

De onde estamos quase conseguimos identificarOs rostos destas pessoas que não conhecemos:Um semi-círculo sombreadoAo redor do enorme aparelho de TV doadoQue domina nossa ala. A ‘Última Valsa’ espalha-se sobre elesIluminandoAmistosos, exaustos sorrisos. E nós,Como se nos importássemos, também sorrimos. Para cada alma perdida, nesta hora tardia,Um sedado espasmo de felicidade. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema…
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Carlos Poças Falcão – A luz coada num pano negro

Lamenta-te, pois já não é alegreo vento sobre os campos.Não há descoberta nem transfiguraçãoquando o calendário vem com as primícias. Lamenta-te, lamenta-te.Já não tens a nudez certanem a fragrância antiga. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 03/04/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em…
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Kim Addonizio – Para a mulher que chora descontroladamente no banheiro ao lado

se você já acordou vestida às 4 da manhãfechou as pernas para alguém que amava abriu-as para alguém que não roçou-se contraum travesseiro no escuro ficou miseravelmente em uma praiaalgas agarradas em seus tornozelos pagouuma boa grana por um corte de cabelo ruim se afastoude um espelho que queria matá-la sangrouno banco de trás por…
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Manuel António Pina – A Canção dos Adultos

Parece que crescemos mas não.Somos sempre do mesmo tamanho.as coisas que à volta estãoé que mudam de tamanho. Parece que crescemos mas não crescemos.São as coisas grandes que há,o amor que há, a alegria que há,que estão a ficar mais pequenos. Ficam de nós distantesque às vezes já mal os vemos.Por isso parece que crescemose…
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Otto D’Sola – Plenitude

Da formiga à estrela mais alta, fomos capazes de tecer uma longa história que nunca acabará;da rocha aos pinhais,dos pântanos ao berço de um tênue vento recém-nascido, fomos capazes de dar ao solo duro e seco a alegria de contemplar uma estrela e uma flor aberta. Permeada de canções, beijos e mariposas, nossa história é…
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Linda Gregg – Redução

Sem nem mesmo abrir o álbumpercebi de repente, dois meses depois,que você havia roubado uma foto minha,aquela colorida, nas ondas gregas.Depois de ter me machucado tanto,como você pode também subtrair-me uma fotode um tempo em que eu ainda não o conhecia?Do tempo em que eu estava com Jack?Roubar a pequena prova de que um diaeu…