Tag: Espiritualidade
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Joan Margarit – A Espera

Tantas coisas estão sentindo tua falta. Assim preenchem-se os dias, instantes feitos de esperar por tuas mãos, de sentir falta de tuas pequenas mãos, que pegaram nas minhas tantas vezes. Temos de nos acostumar com tua ausência. Um verão já passou sem teus olhos e o mar também haverá de acostumar-se. Tua rua, ainda por…
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Vitor Nogueira – Domingo

Acordamos com o céu encostado no ouvido, nuvens que ladravam e mordiam o domingo, a partir do alto das montanhas. E aqui continuamos, agarrados a nós próprios, como dois miúdos que não têm para onde ir. Estamos presos ao sofá unicamente porque sim, nem tristes nem alegres, metidos no roupão e nos chinelos, pequenos cadeados…
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Alfonsina Storni – Leva-me

Quero esquecer que vivo: leva-me a algum lugar; Ata-me a tua alma; a alva a brilhar. Toma-me pelas mãos como em um branco casulo E mostra-me aos deuses com glória e com orgulho. Leva-me! É uma noite muito negra e sombria!… A morte caça pelo mundo tal qual harpia. Faz-me esquecer o muito que me…
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Spencer Reece – Portofino

Prometa-me que você não esquecerá Portofino. Prometa-me que você encontrará o trompe l’oeil nas paredes daquele quarto no Splendido. As paredes que criam um cenário em que você não pode entrar. Talvez então você compreenda esse anseio por permanência do qual sempre lhe falei. Além do porto? Uma capela amarela. Um penhasco. Prometa-me que você…
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Chico Amaral e Samuel Rosa – As Noites
As ruas desse lugar Conhecem bem As noites longas, as noites pálidas Quando eu te procurava As casas desse lugar Se lembrarão Do nosso abraço, da sombra insólita Espelho azul no chão As ruas desse lugar Agora eu sei Sempre escutaram a nossa música Quando eu te respirava As pedras municipais Se impregnaram Da dupla…
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Manuel António Pina – Estarei ainda muito perto da luz?

Estarei ainda muito perto da luz? Poderei esquecer estes rostos,estas vozes, e ficar diante do meu rosto? Às vezes,como num sonho, vejo formas como um rosto e pergunto: “De quem é este rosto?” E ainda: “Quem pergunta isto?” E: “E com quem fala?” Estarei ainda longe de Ti, quem quer que sejas ou eu seja?…
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Pedro Mexia – Paráfrase

Este poema começa por te comparar com as constelações, com os seus nomes mágicos e desenhos precisos, e depois um jogo de palavras indica que sem ti a astronomia é uma ciência infeliz. Em seguida, duas metáforas introduzem o tema da luz e dos contrastes petrarquistas que existem na mulher amada, no refúgio triste da…
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David Mourão-Ferreira – Praia do Paraíso

Era a primeira Vez que nus os nossos corpos Apesar da penumbra à vontade se olhavam Surpresos de saber que tinham tantos olhos Que podiam ser luz de tantos candelabros Era a primeira vez cerrados os estores Só o rumor do mar permanecera em casa E sabias a sal, e cheiravas a limos Que tivesses…
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Amalia Bautista – Contra ‘Remedia Amoris’

Não sou desse género de mulheresincapazes de amor e de ternura.Odeio o sacrifício e repugna-mea vaidade que nasce da violência,mas sei o que é valor e o que é sangue.Quero ser a mulher de um mercenário,de um poeta ou mártir, vai dar ao mesmo.Porque sei olhar nos olhos dos homens.Conheço quem merece a minha ternura.…
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Albano Martins – Haicais

Juncos em movimento.Os cabelos da águapenteados pelo vento. *Num frutosazonado é o tempoque amadurece. *Romãs: as últimasbrasas do incêndiodo verão. *Maçã – disse a criança.E era apenas o soldependurado nos ramos. *Morango. O frágilCoração da terralevado à boca. *O mel no frasco:exposto, para consumo,o suor da abelha. *Mais cedo ou mais tardeo silêncio viráperguntar por…