Joan Margarit – A Espera

Tantas coisas estão sentindo tua falta.
Assim preenchem-se os dias,
instantes feitos de esperar por tuas mãos,
de sentir falta de tuas pequenas mãos,
que pegaram nas minhas tantas vezes.
Temos de nos acostumar com tua ausência.
Um verão já passou sem teus olhos
e o mar também haverá de acostumar-se.
Tua rua, ainda por muito tempo,
esperará, diante de tua porta,
com paciência, teus passos.
Não se cansará nunca de esperar:
ninguém sabe esperar como uma rua.
E a mim me domina esta vontade
de que me toques e de que me olhes,
de que me digas o que eu faço com a minha vida,
enquanto os dias se vão, com chuva ou céu azul,
já organizando a solidão.

Trad.: Nelson Santander

Joan Margarit – La Espera

Te están echando en falta tantas cosas.
Así llenan los días
instantes hechos de esperar tus manos,
de echar de menos tus pequeñas manos,
que cogieron las mías tantas veces.
Hemos de acostumbramos a tu ausencia.
Ya ha pasado un verano sin tus ojos
y el mar también habrá de acostumbrarse.
Tu calle, aún durante mucho tiempo,
esperará, delante de tu puerta,
con paciencia, tus pasos.
No se cansará nunca de esperar:
nadie sabe esperar como una calle.
Y a mí me colma esta voluntad
de que me toques y de que me mires,
de que me digas qué hago con mi vida,
mientras los días van, con lluvia o cielo azul,
organizando ya la soledad.

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