Tag: Espiritualidade
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Thiago de Mello – O Morto

Qual a verdade que o morto conheceu, além dos muros, e lhe fez cerrar os lábios estrangulando a palavra porventura essencial? Enfim livre da cegueira, que paisagem contemplou para que o rosto lhe turve tão rude ruga de mágoa? Soube talvez que melhor fora mostrar-se de todo: desvelar inteira a face, seus amores e seus…
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Cassiano Ricardo – Vociferação

I Homem em Adão. Homem em Cristo. Homem em globo. II como salvar Deus? nós faremos d’Ele novamente o Autor de tudo: do peixe, da ave, da cobra, da maçã, do sapo, do rouxinol do sol. O obrigaremos contudo a suar san- gue conosco, na guerra, na fome na peste na terra suja; a engolir…
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Cassiano Ricardo – Gramática Visual de Cristo

1 “Cristo, terá sido em vão teu sacri- fício? vê, o sangue escorre, acre, no massacre das ruas.” Cristo espalmou a mão cobrindo os olhos horizontalmente pra não ver a destruição do ser 2 “Cristo, vê os pequeninos que tanto amaste agora garotos nos becos como ratos dentro de sapatos rotos.” Cristo escondeu, de novo,…
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Carlos Drummond de Andrade – A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes e de meu próprio…
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Ivan Junqueira – Esse Punhado de Ossos

Esse punhado de ossos que, na areia, alveja e estala à luz do sol a pino moveu-se outrora, esguio e bailarino, como se move o sangue numa veia. Moveu-se em vão, talvez, porque o destino lhe foi hostil e, astuto, em sua teia bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia o que havia de raro…
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Antero de Quental – Divina Comédia

Erguendo os braços para o Céu distante E apostrofando os deuses invisíveis, Os homens clamam: – «Deuses impassíveis, A quem serve o destino triunfante, Porque é que nos criastes?! Incessante Corre o tempo e só gera, inextinguíveis, Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis, Num turbilhão cruel e delirante… Pois não era melhor na paz clemente Do…