Tag: Espiritualidade
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Finn Butler – Marinho

Todos os que o amedrontam são sessenta e cinco por cento água.E todos os que você ama são feitos de poeira estelar, e eu sei queàs vezesvocê nem consegue respirar profundamente,o céu noturno não é seu lar evocê já chorou sozinho até dormir tantas vezesque chegou aos seus últimos dois por cento, mas nada é…
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Adam Zagajewski – Um breve poema

Eu ouvia cânticos gregorianosnum carro em alta velocidadeem uma rodovia na França.As árvores passavam velozes. As vozes dos mongesentoavam preces a um deus invisível(ao amanhecer de uma capela tremendo de frio).Domine, exaudi orationem meum,vozes graves rogavam calmamentecomo se a salvação estivesse crescendo no jardim.Para onde eu ia? Onde o sol se escondia?Minha vida estava em…
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Linda Pastan – Por que seus poemas são tão sombrios?

Por que seus poemas são tão sombrios? Não é a lua também sombria,na maior parte do tempo? E a página brancanão parece inacabada sem a mancha escurados alfabetos? Quando Deus exigiu luz,Ele não baniu a escuridão. Em vez disso, ele criouo ébano e os corvos e aquela pequena pintana maçã esquerda do seu rosto. Ou…
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Elizabeth Jennings – Uma só carne

Cada qual em sua cama, deitados separados agora,Ele com um livro, uma luz acesa até hora incerta,Ela, como uma menina, sonhando com sua aurora,Todos os homens em outros lugares – é como se certaNova ocorrência esperassem: o livro que ele detémMas não lê, os olhos dela pregados nas sombras além. Lançados acima como destroços de…
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James Crews – Kintsugi

Qualquer um que ama outra pessoajá tem o coração partido.É a lei: se quer que aquela luzinunde seu corpo, você deveexpor as cicatrizes através das quaisela jorra, pois elas são a fontede sua beleza e de sua força.Pense nos japoneses que preenchemas fissuras de uma vasilha de cerâmicacom ouro puro, não apenas exibindoestas chamadas falhas,…
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Malena Mörling – Do trem

Pouco antes do sol desapareceratrás de uma fileira de armazénse antes que ele voltasse à tonapara lavar nossas roupasdas sombras, eu notei algo —Era apenas um pedaço de papel,mas estava pendurado em uma das paredes expostasde um dos prédios parcialmente demolidosque passavam flutuando.Notei também o contornode uma velha escadae o desgastado papel de parede verde…
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James Tate – Uma batida na porta

Eles me perguntam se eu já penseisobre o fim do mundo,e eu respondo, “Entrem, entrem,deixe-me dar-lhes algo para comer, por favor.”Depois de algumas mordidas, eles querem falarsobre a vida após a morte. “Ui!,” eu digo,“vocês já viram aquela Greapleaf skeletonizer?”1Depois eles começam a falar sobre redençãoe dos poucos escolhidos para sentar ao lado Dele.“Fazendo o…
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Mary Oliver – Garças

Onde o caminho se encerrava, por entre folhas matizadas, galhos caídos, através de nodosas salsaparrilhas, eu continuei. Por fim, não pude salvar meus braços dos espinhos; logo os mosquitos sentiram meu cheiro, quente e ferido, e vieram girando e gemendo. E foi assim que cheguei na beira do lago: escuro e vazio exceto por um…
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Matthew Sweeney – As mariposas

As mariposas Ou o poema que começa com um verso de Diane Di Prima Na neve, as mariposas caminham rigidamente,elas nem ao menos tentam voar.Suas pegadas são cobertas à medida que são feitas,enquanto elas seguem umas às outras para casapelas frias colunas dos postes de iluminaçãopara esperar lá a chegada da luz.A cada crepúsculo há…
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César Cantoni – O mais digno em nós

Eu sempre achei que os ossos, com seu brilho mineralde pedra polida pela chuva, são o que de mais digno há em nós:sobrevivem longamente à putrefação indecorosa da carnee não têm a malícia nem a maldade da alma. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado no blog originalmente em 26/01/2018 César Cantoni…