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Jane Hirshfield – Encantamento para se recitar contra o ódio

Até que cada respiração repudie eles, aqueles, outros.Até que a Dramatis Personae da primeira página do livro diga: “Cada um deles é você.”Até que a esperança se dobre à sua desesperança apenas quando um ser se dobrar para outro.Até que a crueldade se dobre às suas ações e subitamente perceba: eu.Até que a raiva e…
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Warsan Shire – Casa

ninguém sai de casa a menos que a casa seja a boca de um tubarãovocê só corre para a fronteiraquando vê a cidade inteira correndo também seus vizinhos correndo mais depressa que vocêo fôlego ensanguentado na gargantao menino com quem você estudavaque a beijou até deixá-la tonta atrás da velha fábrica de estanhosegura uma arma…
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Louise Glück – Viúvas

Minha mãe está jogando cartas com minha tia,Spite and Malice, o passatempo da família, o jogoque minha vó ensinou a todas as suas filhas. É o auge do verão: quente demais para sair.Hoje minha tia está em vantagem; ela está recebendo as cartas boas.Minha mãe está se arrastando, com dificuldade para se concentrar.Ela não consegue…
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Nelson Santander – Singularidade
Logo no início do blog, publiquei alguns poemas de minha autoria, não tanto pelo valor intrínseco que cada um deles dificilmente possa ter, mas para deixa-los “arquivados” nesse grande arquivo virtual que é a internet. Dentre eles, o poema que segue é aquele que considero o menos ruim de todos os que cometi. Como minhas…
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Marissa Davis – Singularidade

Singularidade (depois de Marie Howe) no início sem verboiguana & mirramagma & mariposa-fantasma do recife& os cordyceps fazendo cócegas em seus nervos& cedro & arquipélago & anêmonapássaro dodo & cardeal esperando por seu salvermelho do oceano & óleo cru agora lama preta agora o mais naïve plâncton hesitantecada ovo agarrado à cópia maleávelde mim não-mulher…
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Marie Howe – Singularidade

Singularidade (depois de Stephen Hawking) Você às vezes não gostaria de acordar para a singularidadeque um dia fomos? tão compactos ninguémprecisava de cama, ou comida, ou dinheiro — ninguém se escondendo no banheiro da escolaou sozinho em casa abrindo a gavetaonde os comprimidos são guardados. Pois cada átomo que pertence a mimPertence a você. Lembra-se?…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ex libris

Eu reli novamente aqueles versosque falavam de amor e que lemosna noite em que ardeu Troia e nos perdemosno fundo de seus negros universos. Ouvi em cada folha os maciosrelevos de tua pele em que achamoshaver bebido ao sol em seus racemose ao mar que refletia em seus cicios fartos nossa ascensão ao precipício.Fareja-se a…
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Louise Glück – Abundância

Um vento frio sopra nas noites de verão, agitando o trigo.O trigo se curva, as folhas dos pessegueirosfarfalham noite afora. No escuro, um menino cruza o campo:pela primeira vez, ele tocou uma garotae então volta para casa como um homem, com a fome de um homem. Lentamente, as frutas amadurecem —cestas e mais cestas delas…
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Edna St. Vincent Millay – Até tarde

Com a faca cega do Sono, se quiser,Corte cada dia pela metade, amado —Os anos que o Tempo tira do meu viver,Ele deduzirá daquele outro lado! Trad.: Nelson Santander Midnight Oil * Cut if you will, with Sleep’s dull knife,Each day to half its length, my friend,—The years that Time takes off my life,He’ll…
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Derek Mahon – Tudo vai ficar bem

Como eu não ficaria feliz em contemplaras nuvens que se dissipam além da janela do sótãoe a maré alta refletida no teto?Haverá mortes, haverá mortes,mas não há necessidade de falar sobre isso.Os poemas fluem espontaneamente da mãoe a fonte oculta é o coração vigilante.O sol se levanta, apesar de tudo,e as distantes cidades são belas…