-
Philip Larkin – Canções de amor na velhice

Ela guardou canções, tomavam pouco espaçoE as capas lhe eram belas:Uma que apanhou sol e de matizes baços;Uma cheia de círculos de jarra d´água;Uma colada, num “acesso de ordem” dela,E colorida, pela filha – aguar-daram assim, até que em sua viuvez asAchou, procurando algo, e pôs-se dessa vez a Reaprender como cada acorde, obedienteE franco,…
-
Neil Gaiman – As coletoras de cogumelos

Como você sabe, meu pequeno, a ciência é o estudoda natureza e do comportamento do universo.Ela se baseia na observação, na experimentação e na medição,e na formulação de leis para descrever os fatos revelados. Nos velhos tempos, dizem, os homens já vinham equipados com cérebrosprojetados para seguir cárneas-feras em uma corrida,para se lançarem cegamente no…
-
Joan Margarit – Nada engrandece um velho

Nem essa violência com a qual desejoter sempre razão.Nem tampouco crer que a felicidadetem uma relação, sutil, com a mentira.Nem chegar a tero coração tão sujo como o meu,apesar de ter sido a guerra que o sujou.Minha paz deve ser uma falsa paz.Tampouco não abjurar a luxúriae a vaidade.Como podemos ser vaidosos, os velhos? Essa…
-
Javier Salvago – Variações sobre um velho tema

Os violinos de Verlaine. Os sonhados caminhos da tarde, de don Antonio.* Um velho cheiro de campo. Um velho cheiro de lápis e cadernos. O céu cinzento. O vento entre as árvores. A carícia das primeiras chuvas. A tristeza sem causa. A solidão sonora. A noite, cada vez mais escura e prolongada. Um cigarro que,…
-
Wendell Berry – Questionário

1. Quanto veneno você está dispostoa consumir para o sucesso do livremercado e do comércio internacional? Por favor,indique seus venenos preferidos. 2. Em nome do bem, quantomal você está disposto a praticar?Preencha os campos abaixocom os nomes de suas maldades eatos de ódio favoritos. 3. Que sacrifícios você está dispostoa fazer pela cultura e pela…
-
Audre Lorde – As abelhas

Na rua, em frente a uma escola,o que as crianças aprenderamas possui.Garotos gritam enquanto apedrejam um enxame de abelhasque tenta se reunirentre a janela do refeitório e uma grade de ferro.Os garotos arremessam pedras furiosasdespedaçando as janelas.As abelhas, zumbindo sua raiva,demoram a atacar.Então, um dos meninos é picadoem uma destruição mais rápidae os inspetores escolares…
-
Ursula K. Le Guin – Hino ao tempo

O Tempo diz “Que haja”e instantaneamente, a todo instante,existe espaço e o esplendorde cada galáxia brilhante. E olhos contemplando o céu cintilante.E a dança dos mosquitos, tremulante.E a extensão do mar.E a morte, e o azar. O tempo deixa espaçopara ir e voltar para casae no ventre do tempotudo começa e acaba. Tempo é ser…


