Categoria: Nelson Santander – Traduções
-
Jim Harrison – Água

Antes de nascer eu era água.Pensei nisso sentado em uma cadeiraazul cercado por malvas rosas, vermelhas,e brancas no jardim em frenteao meu estúdio verde. Há conclusões aquia tirar, mas eu não posso mais fazer isso. O homem nasce, cresce, canta, dança, ama, envelhece,agoniza. Isto é um rio circulare nós somos seus peixes que se tornam água. Trad.:…
-
Eavan Boland – Cartas aos mortos

I Estudiosos do Império Antigo encontraram cerâmicasgravadas por toda parte com marcas e sinais. II Escritos em louças de lodo. Nas bordas dos vasos.Colocados na entrada dos túmulos.O vermelho do ferro de um mundo.Postado no limiar de outro.Chamaram-nas de cartas aos mortos. III Eles não choravam ou se lamentavam por meio destas marcas e sinais.Eles…
-
Tarde na Andaluzia, de Sahar Romani, lido por Sandra Daher
Sandra Daher, uma generosa seguidora do blog, publica em seu perfil no Facebook a leitura que faz de poemas que a inspiram. Em sua postagem mais recente, ela surge lendo o belíssimo “Tarde na Andaluzia”, de Sahar Romani, traduzido por mim e publicado há algum tempo no blog. Confiram o resultado clicando no link que…
-
Stephen Dunn – Ignorância

O sonho antigo de voar se tornou realidadee eu olho para cima, sem espanto.Por que não cai?Uma pergunta de criança que eu não sei responder.Eu visto minha ignorância naquilo que eu sei.Uma vez houve pterodátilos, eu digo.Uma vez o céu era presságios e pássaros. Ele é imenso e diminuto e tão altoque não emite nem…
-
Linda Pastan – Por trás do

“Busco pelo que está por trás das palavras que são ditas…” – William Stafford Por trás do “Eu te amo”reside um “adeus”.Por trás do“adeus”mora um “foi maravilhosoali no gramado, encharcadosde tanto verde,juntos”.Palavras que esperamsão escuras como sombrasnos quartos dos fundos dos espelhos:quando você levantasua mão direitaem saudação,elas levantam a esquerdaem despedida. Trad.: Nelson Santander Mais…
-
Pat Boran – Desde que você se foi…

Desde que você se foi… os dias aprenderam um novo idioma,as noites falam em línguas – as vozes da chuva na janela do quarto, do vento sussurrando na rua varrida pela chuva, os canos da casa chamando,tina após tina de água. A perda descobre novas cançõesem antigos instrumentos. Trad.: Nelson Santander Since You Left… the…
-
Joseph Hillman – Para capturar a mim mesmo

Para capturar a mim mesmoeu devo cavar um buraco Perfurar a película quesepara a vida da morteCom pá, pá de corteou mãos afiadas Fazer a terra desabrocharEm uma floração de preto e ocre Permitir que os muros se ergamao meu redor comodesmoronadoscortinadosengolindo-me inteiroenquantovou maisfundo Mais fundonaquele buraco Tão fundo quenão posso sairnovamentee tenho queviver oresto…
-
Mary Oliver – Pesado

Naquela vezpensei que não poderiachegar mais perto do lutosem morrer cheguei mais perto,e não morri.Certamente Deusteve sua mão nisso, e também os amigos.Ainda assim, eu estava curvada,e meu riso,como disse o poeta, não estava em lugar nenhum.Então meu amigo Daniel disse(valente mesmo entre os leões):“Não é o peso que você carrega mas como você o…
-
Ciaran O’Driscoll – Por favor, permaneça na linha

Este é o futuro, minha esposa diz.Nós já estamos lá, e é exatamente como o presente. Seu futuro, aqui, ela diz.E estou falando com um robô ao telefone.O robô está me dando inúmeras opções,nenhuma das quais atende às minhas necessidades.Ótimo, diz o robôquando eu lhe dou o número do meu telefone.E Excelente, diz o robôquando…
-
Francisco Brines – Esplendor negro

Somente uma vez pudeste conhecer aquele Esplendor negro,e intermitentemente recordas a experiência vagamente,aproximações difusas, iminências,e assim, desde a tua juventude, arrastas frio,um invisível manto de cinza escarlate.E não foi necessário cegar os olhos,pois das luzes claras dos astroschegou aquele delírio, a possibilidade mais exata e simples:em vez de Deus ou do mundoaquele negro Esplendor,que nem…