Mary Oliver – Pesado

Naquela época
Eu pensei que não poderia
me aproximar mais da dor
sem morrer

eu me aproximei
e não morri.
Certamente teve
a mão de Deus nisso,

assim como as dos amigos.
Ainda assim, eu estava curvada,
e meu riso,
como disse o poeta,

havia desaparecido.
Então disse o meu amigo Daniel
(valente mesmo entre os leões):
“Não é o peso que você carrega

mas como você o carrega –
livros, luto, ladrilhos –
tudo está na maneira
como você o abraça, equilibra, carrega-o

quando não pode, e não quer,
abandoná-lo.”
Então eu fui praticar.
Já reparou?

Já ouviu
o riso
que sai, vez ou outra,
de minha boca assustadas?

Como eu me demoro
admirando, admirando, admirando
as coisas deste mundo
que são gentis, e talvez

também turbulentas –
rosas ao vento,
os gansos-do-mar nas ondas íngremes,
um amor
para o qual não há resposta?

Trad.: Nelson Santander

Heavy

That time
I thought I could not
go any closer to grief
without dying

I went closer,
and I did not die.
Surely God
had his hand in this,

as well as friends.
Still, I was bent,
and my laughter,
as the poet said,

was nowhere to be found.
Then said my friend Daniel,
(brave even among lions),
“It’s not the weight you carry

but how you carry it –
books, bricks, grief –
it’s all in the way
you embrace it, balance it, carry it

when you cannot, and would not,
put it down.”
So I went practicing.
Have you noticed?

Have you heard
the laughter
that comes, now and again,
out of my startled mouth?

How I linger
to admire, admire, admire
the things of this world
that are kind, and maybe

also troubled –
roses in the wind,
the sea geese on the steep waves,
a love
to which there is no reply?

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