Tag: Tempus Fugit
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Joan Margarit – Faróis na noite

Tento seduzir-te no passado.As mãos ao volante e esta luzde boate no painel me permitem– fantasia invernal – dançar contigo.Atrás de mim, como um grande caminhão,o amanhã fabrica explosões de luzes.Ninguém o conduz e ele me ultrapassa,mas agora tu e eu viajamos juntose a carruagem pode ser a dos cavalosdos anos sessenta para Paris.“Je ne…
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Régis Bonvicino – Suor

O mar o mormaço o meio-diaum cão se delicianas ondas do marverde, a mata verde avançano rochedoo esqueleto de um peixena areia da praia a brisao que tenho a dizer?o que ela diz o rouco marulho das ondassime nada além de ser
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A última vez de Casanova

Giacomo se envolve no crepúsculo do Florian Perguntas-me, Lesbia, quantos dos teus beijosseriam suficientes para me satisfazer.Catulo Enquanto beijo tua boca, docedonzela na conquista, mordoas comissuras de tua mãee os lábios que tuas irmãscedem ao peso do desejo;beijo as próximas mulheresdistantes e ainda desconhecidaspor minha cobiça, aquelasque um dia serão tu em outratu, que agora…
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Louise Glück – Aubade

Hoje, acima do canto da gaivota,ouvi você me acordar novamentepara ver aquela ave, voandotão estranhamente sobre a cidade,não querendo parar, desejandoa desolação azul do mar — Agora ela contorna o subúrbio;contra si, a luz violenta do meio-dia: Eu sinto a fome delacomo sua mão dentro de mim, um gritotão comum, desafinado — O nosso não…
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Dorianne Laux – Histórias de família

Tive um namorado que me contava histórias sobre sua família,como a de certa vez em que uma discussão terminou quando seu paiagarrou com as duas mãos um bolo de aniversário com as velas acesase o arremessou pela janela do andar de cima. Assim,eu pensava, era uma família normal: raivaenviada para além do peitoril, aterrissando como…
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Linda Pastan – Elegia

Nosso último corniso se inclinasobre o solo da floresta oferecendo frutosaos pássaros, aos esquilos. É uma relíquiados dias em que os cornisos floresciam — renda natada em abril,leite derramado em maio — sua beleza delicadamas comum. Quando eu dava como certoque o mundo permaneceria como era, e eupermaneceria com ele. Trad.: Nelson Santander Mais do…
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David Budhill – O lenhador muda de ideia

Quando eu era jovem, cortei as árvores maiores e mais velhas para lenha, aquelaspodres em seu cerne, de galhos mortos e partidos, as mutiladas e deformadas porque, raciocinei, elas tombariam logo de qualquer forma, epor isso, eu deveria dar às mais jovens mais luz e espaço para vicejarem. Agora que estou velho derrubo as árvores…
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Ricardo Silvestrin – Sacos

Estamos repletos de inutilidades,suas, minhas,inutilidades de família,de valor inestimável. Quinquilharias, ninharias,boiando no pó, atiradas em caixas,envelopes rasgados, gavetas. Ninguém se arrisca a botar foraesses tesouros de um reino perdidoentre os guardados. Em quantos sacos de lixo,sacos grandes de cem litros,vai caber todo o passado? Adquira outras obras de Ricardo Silvestrin clicando aqui
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Lisel Mueller – Desenhos de criança

1 O sol pode estar visível ou não(pode estar atrás de você,o expectador dessas imagens)mas o céu é sempre azulse é dia. Se não,as estrelas estão quase ao seu alcance;inclinadas, elas chegam até você,na iminência de cair.Nunca é nascer ou pôr do sol;não há nenhum olho ensanguentadoespiando você no horizonte.É claramente dia ou noite,é brilhante…
