Tag: Tempus Fugit
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A outra rosa

Ela beijou na rosa(seu nome era um aguilhãofeminino e brutal)a imagem de outra rosa gravada em uma lousade mármore, cristalina.A luz era mais finae, ao tato, tão airosa quanto a flor que ardiasem pausa em sua memória.Em outro meio-dia, a rosa era ilusóriapromessa repartida;e o beijo, a outra vida. Trad.: Nelson Santander La otra rosa…
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Javier Salvago – Canção do Esquecimento

A cor dos olhos daquele amor juvenil.O calor do primeiro beijo, que não consigorecordar, embora saiba que deve ter sidoinesquecível. Tantos colegas e amigosda escola ou de farra, que um dia foram íntimos.O latim. Tantos nomes de montanhas e rios.Tantas duras lições. Tantos e tantos livros, com paixão devorados, sempre abertos, lidose esquecidos, assim como…
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Hannah Sullivan – 3.31 (de “Three Poems”)

O que subsistirá a nós?Larkin pensava que a resposta poderia ser “amor,”Mas não conseguiu prova-lo. “A pasta de rascunhos era o lugar mais interessante.” “Sempre foi você, no final.”“Ele tentou lhe dizer à sua maneira.” Curtas cadeias de carbono no pó,Esta é a resposta prática.Velhos laptops, marca-passos, parafusos ósseos.Filamentos de DNA revelando a causa da…
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Maggie Smith – O primeiro outono

Eu sou sua guia aqui. Nas ruas crepusculares da manhã, eu aponto e nomeio. Veja os sicômoros, suas cascas manchadas, pintadas-por-números. Veja as folhas enferrujando e crepitando nas pontas. Eu caminho pelo Schiller Park com você no meu peito. As estrelas ardem plenamente à luz do dia. Veja o lago, os patos, os cães chapinhando…
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Joan Margarit – Manhã no cemitério de Montjuïc

Fui à colina dos túmulos:lá cheguei cruzando o ermoda Can Tunis, coberto de seringase de plásticos pardacentos, onde tremem, errantes,as estátuas de trapo dos drogados.Corre o boato de que a Prefeiturairá destruí-lo, cobrindo de concretoos terrenos com mato em frente à enorme grade do cemitério, erguida de frente para o mar.Que má companhia será para…
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Mary Oliver – Os usos da tristeza

(enquanto dormia, sonhei este poema) Alguém que amei uma vez me deuuma caixa cheia de escuridão. Levei anos para entenderque isto, também, foi uma dádiva. Trad.: Nelson Santander The uses of sorrow (In my sleep I dreamed this poem) Someone I loved once gave mea box full of darkness. It took me years to understandthat…
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Eavan Boland – O barógrafo

Encontrei-o no cais,um retângulo de madeira,um barógrafo, sua pena traçando o papel. Trouxe-o para casa para serum registro dos ventos,da pressão crescente, capaz de escrever a sina barométricado nosso cotidiano, lá atrás,num mundo em que carrinhos de livros ao vento junto ao rioprometiam palavras selvagens,mas obedeciam ao censor. Bancos em College Greenregistravam Libras nos livros-caixa,pence…
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David Mourão-Ferreira – E por vezes

E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos. E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos E por vezes fingimos que lembramos E por vezes lembramos que por…
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Robyn Sarah – Rebitados

É possível que as coisas não fiquem melhoresdo que estão agora, ou como imaginamos que estejam.É possível que já tenhamos ultrapassado o meio agora.É possível que tenhamos cruzado as Grandes Águassem sabe-lo, e que agora estejamos do outro lado. Sim, acho que já as atravessamos. Agora estamos recebendo ingressos, e eles não são ingressos para…
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Frank O’Hara – Animais

Você já se esqueceu de como éramos quando éramos de primeira linhae o dia vinha gordo com uma maçã em sua boca não vale a pena se preocupar com o Tempo mas nós tínhamos alguns truques nas mangase dobramos algumas esquinas afiadas todo pasto parecia nossa refeiçãonão precisávamos de velocímetrospodíamos gerenciar coquetéis sem gelo e…