Tag: Tempus Fugit
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Robyn Sarah – Ao fechar o apartamento dos meus avós de abençoada memória

E então eu me vi naquela sala pela vez final.Mantive-me firme, com a chave em minha mão,e ouvi o silêncio que era como um som,e percebi como o longo sol da tarde invernalbaixava de maneira oblíqua ao chão fazendo florir os veios do assoalho. (Tudo o que eles um diapossuíram estava guardado aqui.) Na janela…
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William Ernest Henley – Invictus

No meio da noite que me abraça,Negra como um Poço em sua inteireza,Agradeço a cada Deus pela graçaDe minha invencível natureza. Nas terríveis garras das circunstânciasNão recuei nem alteei meu pranto.Debaixo dos golpes das contingênciasMinha fronte sangra – altiva, no entanto. Além deste lugar de desenganos,Somente o Horror das sombras desponta,E entretanto a ameaça dos…
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Jane Hirshfield – Um dia é vasto

Um dia é vasto.Até o meio-dia.Depois acaba.A água da lagoa de ontem, entrelaçada,ainda está molhada em meus cabelos.Eu não sei o que é o tempo.Você nunca pode encontra-lo.Mas você pode perde-lo. Trad.: Nelson Santander A Day Is VastA day is vast.Until noon.Then it’s over.Yesterday’s pondwaterbraided still wet in my hair.I don’t know what time is.You…
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Mary Oliver – Primavera

Em algum lugar,uma ursa-negraacaba de despertare lança seu olhar para baixo na montanha.A noite toda,na inquietude vivaz e superficialdo início da primavera, eu penso nela,suas quatro patas pretasesparramando o cascalho,sua língua como uma chama rubratocando a relva,a água fria.Só há uma questão: como amar este mundo?Eu penso nelaerguendo-secomo um rochedo negro e musgoso para afiar…
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David Mourão-Ferreira – Ladainha dos Póstumos Natais

Ladainha dos Póstumos Natais, um poema de David Mourão-Ferreira sobre o Natal
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Joan Margarit – Um pobre instante

A morte nada mais é do que isto: o quarto,a luminosa tarde na janela,e este toca-fitas na mesinha– tão silencioso como o teu coração –com todas as tuas canções tocadas para sempre.Teu último suspiro segue dentro de mimainda em suspenso: não deixo que acabe.Sabes qual é, Joana, o próximo concerto?Ouves como brincam as crianças no…
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Charles Simic – Igreja de madeira

É só uma choupana fechada com uma torreSob o céu de um verão escaldanteEm uma estrada secundária percorrida raramenteOnde as sombras de árvores grandesRoçam-se tranquilamente como forcas enfileiradas,E corvos privados de carniçaGrasnam uns com os outros sobre dias melhores. A congregação talvez ainda esteja em oração.Das fotos salpicadas, famílias de fazendeiros Enfileiradas com suas cabeças…
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Stephen Dobyns – Constatações

O terrível desequilíbrio que ocorre com a idadequando de repente você percebe que mais amigos morreram do que continuam vivos. E às vezesa lembrança deles parece tão real que a mais recente constatação de uma morte pode se tornar uma segunda, menor morte. Todas aquelas conversas interrompidas no meio da frase. Todos aqueles planos jogados…
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W. S. Merwin – Juventude

Durante toda a juventude estive à sua procurasem saber o que procurava nem como chamá-la acho que eu nem sabia que estava procurando como eu poderia reconhecê-la ao vê-la como aconteceuvezes sem conta quando apareceu para mim como apareceu nua oferecendo-sepor inteiro naquele momento e deixou que eu a respirasse a tocasse a provasse sabendonão…
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Jane Kenyon – A pera

Há um momento na meia-idadeem que você fica entediado, irritadopor sua mente mediana, com medo. Nesse dia, o solarde quente e brilhante,deixando-o ainda mais desolado. Isso acontece sutilmente, como quando uma peraapodrece de dentro para fora,e talvez você nem percebaaté tudo já tenha passado do ponto. Trad.: Nelson Santander The Pear There is a moment…