Louise Glück – Aubade

Hoje, acima do canto da gaivota,
ouvi você me acordar novamente
para ver aquela ave, voando
tão estranhamente sobre a cidade,
não querendo
parar, desejando
a desolação azul do mar —

Agora ela contorna o subúrbio;
contra si, a luz violenta do meio-dia:

Eu sinto a fome dela
como sua mão dentro de mim,

um grito
tão comum, desafinado —

O nosso não era
diferente. Eles surgiram
da necessidade
inesgotável do corpo

concretizando um desejo de voltar:
o pálido amanhecer, nossas roupas
não separadas para a partida.

Trad.: Nelson Santander

Aubade

Today above the gull’s call
I heard you waking me again
to see that bird, flying
so strangely over the city,
not wanting
to stop, wanting
the blue waste of the sea—

Now it skirts the suburb,
the noon light violent against it:

I feel its hunger
as your hand inside me,

a cry
so common, unmusical—

Ours were not
different. They rose
from the unexhausted
need of the body

fixing a wish to return:
the ashen dawn, our clothes
not sorted for departure.

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