Tag: Solidão
-
Ted Kooser – Voo noturno

Sobre nós, estrelas. Sob nós, constelações.A cinco bilhões de milhas de distância, uma galáxia morrecomo um floco de neve caindo sobre a na água. Abaixo de nós,algum fazendeiro, sentindo o calafrio dessa morte distante,acende a luz do quintal, trazendo seus galpões e seu celeirode volta ao pequeno sistema sob seus cuidados.Por toda a noite, as…
-
Juan Vicente Piqueras – Palmeiras

Nascemos da sede. Somos palmeirasque crescem à força de perderseus ramos. Nossos troncos são feridas,cicatrizes que o vento e a luz dissipam,quando o tempo, o que faz e o que passa,ocupa o coração e dele faz um ninhode perdas, erigenele seu templo, sua áspera coluna. Por isso as palmeiras são alegrescomo os que sabem sofrer…
-
Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho
![Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/07/alone.png)
Como não ser sozinho Tudo começa com a compreensãode que nada dura para sempre.Por isso, é melhor você começar a fazer as malas agora.Mas, nesse meio tempo,pratique estar vivo. Haverá uma festaem que você sentiráque ninguém está prestando atenção em você.E haverá outraem que atenção é tudo o que você receberá.O que você precisa fazeré…
-
Stevie Smith – Sozinha na floresta

Sozinha na floresta, sentiA amarga hostilidade do céu e das árvoresA Natureza ensinou suas criaturas a odiar oHomem que ferve e fumegaInquieto homemComo a seiva sobe nas árvoresComo a seiva pinta as árvores de um verde violentoAssim cresce a ira das criaturas da NaturezaContra o homemAssim pinta-se a face da Natureza de um verde violento.A…
-
Jorge Valdés Díaz-Vélez – Formas migratórias

Formas Migratórias para Katia Alemann Aprendemos a amar a conta-gotasessas pequenas pausas de que se vesteo temporal para inundar a solidãodo lado de fora, o ramo entre violeta e ocre das tardes, o murmúriosemântico do céu. Nesta ordem,desfizemos os contornos da distância,a longitude sem proporção, as linhasque relacionam as coisas. Breveslacunas de ar, esses segundos…
-
Maggie Smith – O primeiro outono

Eu sou sua guia aqui. Nas ruas crepusculares da manhã, eu aponto e nomeio. Veja os sicômoros, suas cascas manchadas, pintadas-por-números. Veja as folhas enferrujando e crepitando nas pontas. Eu caminho pelo Schiller Park com você no meu peito. As estrelas ardem plenamente à luz do dia. Veja o lago, os patos, os cães chapinhando…
-
Paul Tran – A caverna

Alguém que estava na abertura teve a ideia de entrar. Ir além do ponto onde a luz ou a linguagem poderiam ir. À medida que ele seguia a ideia, luz e linguagem o acompanhavam como dois lobos — ofegantes, ouvindo o próprio resfolegar. Um aroma informe no ar úmido… Prossiga, disse a ideia. Alguém prosseguiu.…
-
Frank O’Hara – Animais

Você já se esqueceu de como éramos quando éramos de primeira linhae o dia vinha gordo com uma maçã em sua boca não vale a pena se preocupar com o Tempo mas nós tínhamos alguns truques nas mangase dobramos algumas esquinas afiadas todo pasto parecia nossa refeiçãonão precisávamos de velocímetrospodíamos gerenciar coquetéis sem gelo e…
-
Ada Limón – O fim da poesia

“O fim da poesia”, um poema de Ada Limon que questiona a suficiência da própria linguagem poética diante da experiência concreta da vulnerabilidade humana.
