Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho

Como não ser sozinho

Tudo começa com a compreensão
de que nada dura para sempre.
Por isso, é melhor você começar a fazer as malas agora.
Mas, nesse meio tempo,
pratique estar vivo.

Haverá uma festa
em que você sentirá
que ninguém está prestando atenção em você.
E haverá outra
em que atenção é tudo o que você receberá.
O que você precisa fazer
é lembrar-se de conversar
consigo mesmo
entre esses eventos.

E,
novamente,
haverá um dia,
— uma década —
em que você não se
sentirá bem no próprio corpo,
embora esteja
no único corpo em que pode estar.

Você precisa controlar
seu hábito de esquecer
de respirar.

Lembra quando você era jovem
e praticava beijos em seu próprio braço?
Você estava no caminho certo então.
Às vezes, o mal conhece a própria cura.
Conforta a própria compreensão.
O bem também.
Não precisa de um motivo.

Existe um você
contando outra história sobre você.
Ouça-a.

Qual parte do seu corpo
lhe causa inquietação?
O peito? O punho? O sonho antes de despertar?
A cabeça que sente estar no ponto mais alto do balanço
ou o aperto no estômago como se estivesse caindo
& caindo & caindo e caindo?
Ele sabe de algo: você está morrendo.
Tente permanecer vivo.

Por ora, toque-se.
Estou falando sério.

Toque em você
mesmo.
Pegue sua mão
e coloque-a em
algum ponto
sobre seu corpo.
E ouça
a comunhão de insanidades
que
você é.
Você é
uma
conversa interessante.

Seu lugar
é aqui.

Trad.: Nelson Santander

How to belong be alone

It all begins with knowing
nothing lasts forever.
So you might as well start packing now.
But, in the meantime,
practice being alive.

There will be a party
where you’ll feel like
nobody’s paying you attention.
And there will be a party
where attention’s all you’ll get.
What you need to do
is to remember
to talk to yourself
between these parties.

And,
again,
there will be a day,
— a decade —
where you won’t
fit in with your body
even though you’re in
the only body you’re in.

You need to control
your habit of forgetting
to breathe.

Remember when you were younger
and you practiced kissing on your arm?
You were on to something then.
Sometimes harm knows its own healing.
Comfort its own intelligence.
Kindness too.
It needs no reason.

There is a you
telling you another story of you.
Listen to her.

Where do you feel
anxiety in your body?
The chest? The fist? The dream before waking?
The head that feels like it’s at the top of the swing
or the clutch of gut like falling
& falling & falling and falling
It knows something: you’re dying.
Try to stay alive.

For now, touch yourself.
I’m serious.

Touch your
self.
Take your hand
and place your hand
some place
upon your body.
And listen
to the community of madness
that
you are.
You are
such an
interesting conversation.

You belong
here.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s