Tag: Solidão
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Javier Salvago – Variações sobre um velho tema

Os violinos de Verlaine. Os sonhados caminhos da tarde, de don Antonio.* Um velho cheiro de campo. Um velho cheiro de lápis e cadernos. O céu cinzento. O vento entre as árvores. A carícia das primeiras chuvas. A tristeza sem causa. A solidão sonora. A noite, cada vez mais escura e prolongada. Um cigarro que,…
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Jane Hirshfield – Encantamento para se recitar contra o ódio

Até que cada respiração repudie eles, aqueles, outros.Até que a Dramatis Personae da primeira página do livro diga: “Cada um deles é você.”Até que a esperança se dobre à sua desesperança apenas quando um ser se dobrar para outro.Até que a crueldade se dobre às suas ações e subitamente perceba: eu.Até que a raiva e…
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Marie Howe – Singularidade

Singularidade (depois de Stephen Hawking) Você às vezes não gostaria de acordar para a singularidadeque um dia fomos? tão compactos ninguémprecisava de cama, ou comida, ou dinheiro — ninguém se escondendo no banheiro da escolaou sozinho em casa abrindo a gavetaonde os comprimidos são guardados. Pois cada átomo que pertence a mimPertence a você. Lembra-se?…
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Linda Hogan – Cruzamentos

Há um lugar no centro da terraonde um oceano se dissolve dentro de outronum amor negro e sacro;É por isso que as baleias de um marconhecem as canções do outro,porque uma coisa se torna outrae a areia escorre pela ampulhetapara um outro tempo.Certa vez vi um feto de baleiaem um bloco de gelo brilhante.Não era…
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Miller Williams – Poema de amor com torrada

“Poema de amor com torrada”, um poema de Miller Williams
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Robert Creeley – O fim

Quando percebo o que as pessoas pensam de mim fico imerso em minha solidão. O cinza chapéu previamente adquirido enjoa. Não tenho mais nenhum propósito identificável. Uma sensação de estar sendo sufocado penetra em minha garganta. Trad.: Nelson Santander The End When I know what people think of me I am plunged into my loneliness.…
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Joan Margarit – A combinação

Sozinha entre dois infernos— o da liberdade e o da idade —,já não consigo abrir nosso cofre.A porta com seus números giratóriosé a roleta em que já não aposto.Desde o primeiro suspiro conserveia blindada clarezadaquela rosa.Agora, nua em nosso quarto,a janela aberta e a luz apagada,ouço o rumor urbano da noite,enquanto a leve brisa me…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Cruzeiro do Sul

Ardem as folhas do outono na umidade crepuscular de Buenos Aires. Contra um parque dividido por três colinas, a opacidade de sua beleza procura nas folhagens o olhar que acompanhou a luz. As lâmpadas douradas mantêm suas memórias e acendem sombras no gramado. Ao entardecer, se organizam o horizonte de troncos e o suave tato…
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James Elroy Flecker – A um poeta daqui a mil anos

Eu, que há mil anos concluí meu percurso,E escrevi esta doce e arcaica canção,Por arautos te envio este discursoPor estradas que meus pés não trilharão. Não me importa se os mares tu transpões,Ou se galgas em segurança um céu mau,Se eriges exímias fortificaçõesFeitas de alvenaria ou de metal. Mas ainda tens canções e o hidromel,E…
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Juan Vicente Piqueras – Oração do descrente

O importante é rezar, não importa a quem,que as perguntas sejam as oraçõesdo pensamento, plantem sua sementeem nossa solidão, e não haja pazque, à força de insistir, seja capazde não existir, não tenha outro remédiosenão acudir à voz de quem a chama. Que deus não exista, acasoé razão para nele não crer? Deus é o…