Tag: Solidão
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Tyree Daye – Rio Neuse

Diga-lhes para não iremsozinhos às margens. Diga-lhes ondepodem beber sem olharpor cima dos ombros. Diga-lhes que o afogamentovem em terceiro na sua lista de preocupações.A primeira é deite-se, a segunda, venha cá.Mesmo a água em que fui batizadanão é segura. Eu sabia que Deusera homem porque ele pôsum bebê em Maria sem apermissão dela. Trad.:…
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Linda Gregg – Ardendo e distante

Você retorna quando quer,como a chuva. E é terno como a chuva,tem a ternura inepta da chuva.Uma paixão tão universal que poderia acontecer em qualquer lugar.Você me carrega para o ar úmido.Você me deita sobre as folhase o mais marcante não é o sexoe sim acordar sozinha depois sob as árvores. Trad.: Nelson Santander Kept…
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Lucille Clifton – o poema do bebê perdido

na vez em que deixei cair seu quase corpopara encontrar as águas sob a cidadee nelas fluir com o esgoto para o maro que sabia eu sobre águas correndo de voltao que sabia eu sobre afogamentoou sobre ser afogada você teria nascido no invernono ano do gás desligadoe sem carro teríamos feito a singularcaminhada pela…
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Robert Hayden – A nevasca

Incapaz de dormir ou rezar, permaneçoao lado da janela olhando para as aluadas árvores envergadas pelo gelo de uma tempestade de dezembro. Bordo e freixo da montanha se curvamsob seu peso vítreo,seus galhos fendidos caindo sobrea neve congelada. As árvores em si, como nos invernos passados,sobreviverão a este fardo,quebradas florescerão. E eu sou menos para…
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Giuseppe Ungaretti – De uma Estrela à Outra

Daquela estrela à outraA noite se encarceraEm turbinosa vazia desmesura, Daquela solidão de estrelaÀquela solidão de estrela Trad: Haroldo de Campos REPUBLICAÇÃO. Poema publicado no blog originalmente em 17/02/2016 Da quella stella all’altra Da quella stella all’altraSi carcera la notteIn turbinante vuota dismisura, Da quella solitudine di stellaA quella solitudine di stella.
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Ted Kooser – Voo noturno

Sobre nós, estrelas. Sob nós, constelações.A cinco bilhões de milhas de distância, uma galáxia morrecomo um floco de neve desfazendo-se na água. Abaixo de nós,algum fazendeiro, sentindo o calafrio dessa morte distante,acende suas luzes de quintal, deslocando seu celeiro e galpãode volta para o pequeno sistema sob seus cuidados.Por toda a noite, as cidades, como…
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Juan Vicente Piqueras – Palmeiras

Nascemos da sede. Somos palmeirasque crescem à força de perderseus ramos. Nossos troncos são feridas,cicatrizes que o vento e a luz dissipam,quando o tempo, o que faz e o que passa,ocupa o coração e dele faz um ninhode perdas, erigenele seu templo, sua áspera coluna. Por isso as palmeiras são alegrescomo os que sabem sofrer…
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Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho
![Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/07/alone.png)
Como não ser sozinho Tudo começa com a compreensãode que nada dura para sempre.Por isso, é melhor você começar a fazer as malas agora.Mas, nesse meio tempo,pratique estar vivo. Haverá uma festaem que você sentiráque ninguém está prestando atenção em você.E haverá outraem que atenção é tudo o que você receberá.O que você precisa fazeré…
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Stevie Smith – Sozinha na floresta

Sozinha na floresta, sentiA amarga hostilidade do céu e das árvoresA Natureza ensinou suas criaturas a odiar oHomem que ferve e fumegaInquieto homemComo a seiva sobe nas árvoresComo a seiva pinta as árvores de um verde violentoAssim cresce a ira das criaturas da NaturezaContra o homemAssim pinta-se a face da Natureza de um verde violento.A…