Tag: Silêncio
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Suzannah Evans – Um plano de contingência

E se estivermos separados quando chegar o asteroideou a tempestade magnética que colapsará a energia? Talvez você esteja então esperando por um trem enquanto a luz do solse extingue, bem acima dos painéis de vidro do telhado. Eu estarei no trabalho. Perderemos nossas linhas telefônicase o sistema da porta de entrada ficará maluco. Comerei da…
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Miguel D’Ors – Variações sobre um tema de Stevens

Não é o canto do melro:é o silêncioque nos deixa, um silêncioque é algo diferente do silêncioporque nele ainda soaa lembrança do cantodo melro. Nem silêncionem canto: o que acontecequando o cantojá terminoue ainda não começou o silêncio.Podes chamá-lo de alma. Trad.: Nelson Santander Variaciones sobre un tema de Stevens No es el canto del…
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Stephen Dunn – O não dito

Uma noite, ambos precisaram de coisas diferentesdo e um tipo semelhante; ela, de consolo; ele, de ser consolado.Assim, depois de um jantar regado a vinho,quando chegaram em casa separadamenteno mesmo carro, cada um já vinha falhandocom o outro naquilo que pareciauma demora insuportável em dar o que sentia lhe ser devido.Para ela, consolo significava ser…
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Maya Angelou – Quando as grandes árvores caem

Quando as grandes árvores caem,rochas de colinas distantes estremecem,leões se escondemna relva alta,e até os elefantesarrastam-se em busca de segurança. Quando as grandes árvores caemna floresta,pequenas coisas recolhem-se ao silêncio,seus sentidoserodidos para além do medo. Quando grandes almas morrem,o ar ao nosso redor se tornaleve, raro, estéril.Nós respiramos, brevemente.Nossos olhos, brevemente,enxergam comuma dolorosa nitidez.Nossa memória,…
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Claudia Rankine – Intempérie

Em um pedaço do papel no arquivo está escritoesqueci minha sombrinha. Acontece queem uma pandemia todos, não só o filósofo,estamos sem uma. Nós batalhamos na seca de informaçõesretidas por investidores privilegiados. Gota a gota. Protegendoo rosto? Sim. Distanciamento social? Sete palmossob a terra por condições subjacentes. Pretos.Apenas nós e os azuis ajoelhados em um pescoçocom…
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Jane Hirshfield – Hoje, outro universo

O arborista determinou:senescência pragas cancroacelerado pela seca| mas, em qualquer caso,não podável não tratável não passível de escoras. E assim. O ramo de onde gritam o gavião-miúdo e…
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Eavan Boland – O barógrafo

Encontrei-o no cais,um retângulo de madeira,um barógrafo, sua pena traçando o papel. Trouxe-o para casa para serum registro dos ventos,da pressão crescente, capaz de escrever a sina barométricado nosso cotidiano, lá atrás,num mundo em que carrinhos de livros ao vento junto ao rioprometiam palavras selvagens,mas obedeciam ao censor. Bancos em College Greenregistravam Libras nos livros-caixa,pence…
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Nelson Santander – [secos são os homens sem sonhos]
![Nelson Santander – [secos são os homens sem sonhos]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/09/pexels-photo-1001435.jpeg)
“secos são os homens sem sonhos”, um poema de Nelson Santander secos são os homens sem sonhos desertos rios de margens estreitas trilham apenas os caminhos que a terra dita
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Jane Kenyon – A tigela azul

Como primitivos, enterramos o gato com seu prato. Com as mãos nuas raspamos areia e cascalho de volta para o buraco. Caíram com um silvo e um baque ao lado dele, em seu longo pelo vermelho, o branco pelame entre seus dedos, e seu longo, para não dizer aquilino, nariz. Nós nos levantamos e nos…
