Tag: Morte
-
Wendell Berry – A cobra

No final de outubroencontrei no chão da florestauma pequena cobra cujas costastinham o padrão da escuridãodas folhas mortas em que ela estava deitada.Seu corpo fora engrossado por um ratoou um pequeno pássaro. Ela estava fria,tão entorpecida com a barriga cheiae o ar do outono que mal se dava ao trabalho de mexer a língua.Eu a…
-
Györy Somlyó – Fábula da dupla-hélice

Filho dos meus paispai do meu filhogeraram-mee procrieicriaram-mee crieiherdeie legueisepultei eserei sepultadoatinjo aos poucoso atingívelna corrente de cristalou nas ligações alcalinasda vida singularfeita de duaso tempocondecora-mecom todas as distinçõesatando-mecom todas as valênciasMas minhas célulasnem suspeitamaté onde podematravés delaschegar as célulaspelos obscurosdegraus restantesda escada de caracolou escada de Jacóna abóboda celesteou cavidade cranianado ácido desoxi—ribonucléico. Trad.:…
-
Marie Howe – O que os vivos fazem

Johnny, a pia da cozinha está entupida há dias, algum utensílio deve ter caído lá dentro. E o Drano não funciona, mas tem um cheiro perigoso, e a louça encrostada foi se acumulando à espera do encanador que ainda não chamei. Este é o dia a dia de que falávamos. É inverno outra vez: o…
-
Ted Kooser – Voo noturno

Sobre nós, estrelas. Sob nós, constelações.A cinco bilhões de milhas de distância, uma galáxia morrecomo um floco de neve caindo sobre a na água. Abaixo de nós,algum fazendeiro, sentindo o calafrio dessa morte distante,acende a luz do quintal, trazendo seus galpões e seu celeirode volta ao pequeno sistema sob seus cuidados.Por toda a noite, as…
-
Ana Luísa Amaral – Silogismos

“Silogismos”, um poema de Ana Luísa Amaral que confronta a inocência da infância com o abismo do tempo, revelando a ternura e o limite das palavras diante do infinito.
-
Linda Pastan – Considere o espaço entre as estrelas

Considere o espaço brancoentre as palavras em uma página, não sóas margens ao redor delas.Ou o espaço entre pensamentos:instantes em que a mente está inventandoexatamente o que pensae a boca esperapara ser preenchida com linguagem.Considere o espaçoentre os amantes após uma discussão,o lençol branco uma fria metáforaentre eles.Agora imagine o breve espaçoantes que a morte…
-
Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,Há um espelho que me viu pela última vez,Há uma porta que fechei até o fim do mundo.Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)Há algum que já nunca abrirei.Este verão cumprirei cinqüenta anos:A morte me desgasta,…
-
Friedrich Hölderlin – A Brevidade

“Por que és tão breve? Não amas mais, como outrora,O canto? Quando jovem, não chegavas,Nos dias de esperança,Nunca ao fim, quando cantavas!” Tal qual minha sorte é meu canto. – Queres ao arrebolBanhar-te alegremente? Foi-se! E a terra está friaE o pássaro da noite esvoaçaincomodamente aos olhos teus. Trad. Antonio Cícero REPUBLICAÇÃO. Poema publicado originalmente…
-
Algernon Charles Swinburne – O Jardim de Proserpina

Leia “O Jardim de Proserpina”, de Algernon Charles Swinburne, um clássico da poesia vitoriana sobre morte, esquecimento e o anseio pelo repouso eterno.
-
Agi Mishol – A mártir

Leia A Mártir, de Agi Mishol, um poema impactante sobre terrorismo, desumanização e as tragédias humanas geradas pelo conflito.