Wendell Berry – A cobra

Wendell Berry – A cobra

No final de outubro
encontrei no chão da floresta
uma pequena cobra cujas costas
tinham o padrão da escuridão
das folhas mortas em que ela estava deitada.
Seu corpo fora engrossado por um rato
ou um pequeno pássaro. Ela estava fria,
tão entorpecida com a barriga cheia
e o ar do outono que mal se dava ao
trabalho de mexer a língua.
Eu a segurei por muito tempo, refletindo
sobre a perfeição da escura
marca em suas costas, a morte
que a inchou, seu frio vívido.
Agora o frio do seu corpo permanece
em minha mão, e penso nela,
grande, deitada sob a geada
com uma morte para nutri-la
durante um longo sono.

Trad.: Nelson Santander

The Snake

At the end of October
I found on the floor of the woods
a small snake whose back
was patterned with the dark
of the dead leaves he lay on.
His body was thickened with a mouse
or small bird. He was cold,
so stuporous with his full belly
and the fall air that he hardly
troubled to flick his tongue.
I held him a long time, thinking
of the perfection of the dark
marking on his back, the death
that swelled him, his living cold.
Now the cold of him stays
in my hand, and I think of him
lying below the frost,
big with a death to nourish him
during a long sleep.

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2 respostas a “Wendell Berry – A cobra”

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  2. […] 12. Wendell Berry – A cobraNo final de outubroencontrei no chão da florestauma pequena cobra cujas costastinham o padrão da escuridãodas folhas mortas em que ela estava deitada. (…) […]

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