Tag: Memória
-
Ada Limón – Mar aberto

“Mar aberto”, um poema de Ada Limon que transforma uma lembrança de despedida em uma meditação delicada sobre perda, identidade e permanência.
-
Stephen Dobyns – Constatações

O terrível desequilíbrio que ocorre com a idadequando de repente você percebe que mais amigos morreram do que continuam vivos. E às vezesa lembrança deles parece tão real que a mais recente constatação de uma morte pode se tornar uma segunda, menor morte. Todas aquelas conversas interrompidas no meio da frase. Todos aqueles planos jogados…
-
W. S. Merwin – Juventude

Durante toda a juventude estive à sua procurasem saber o que procurava nem como chamá-la acho que eu nem sabia que estava procurando como eu poderia reconhecê-la ao vê-la como aconteceuvezes sem conta quando apareceu para mim como apareceu nua oferecendo-sepor inteiro naquele momento e deixou que eu a respirasse a tocasse a provasse sabendonão…
-
Joan Margarit – Faróis na noite

Tento seduzir-te no passado.As mãos ao volante e esta luzde boate no painel me permitem– fantasia invernal – dançar contigo.Atrás de mim, como um grande caminhão,o amanhã fabrica explosões de luzes.Ninguém o conduz e ele me ultrapassa,mas agora tu e eu viajamos juntose a carruagem pode ser a dos cavalosdos anos sessenta para Paris.“Je ne…
-
Javier Salvago – Outra idade

Já passou a idade de ser poetaporque tudo passa, é a lei da vida;embora eu continue, por dependência ou vício, falando a um pedaço de papel, a poesiajá não é mais minha pátria, nem meu território.Só regresso às vezes, de visita, como quem volta para onde foi feliz. Trad.: Nelson Santander Otra edad Se me…
-
Ricardo Silvestrin – Sacos

Estamos repletos de inutilidades,suas, minhas,inutilidades de família,de valor inestimável. Quinquilharias, ninharias,boiando no pó, atiradas em caixas,envelopes rasgados, gavetas. Ninguém se arrisca a botar foraesses tesouros de um reino perdidoentre os guardados. Em quantos sacos de lixo,sacos grandes de cem litros,vai caber todo o passado? Adquira outras obras de Ricardo Silvestrin clicando aqui
-
Miguel D’Ors – Variações sobre um tema de Stevens

Não é o canto do melro:é o silêncioque nos deixa, um silêncioque é algo diferente do silêncioporque nele ainda soaa lembrança do cantodo melro. Nem silêncionem canto: o que acontecequando o cantojá terminoue ainda não começou o silêncio.Podes chamá-lo de alma. Trad.: Nelson Santander Variaciones sobre un tema de Stevens No es el canto del…
-
Pattiann Rogers – Perspectiva de alcance

Lá em cima, longe desta estrada,Longe das partículas de geadaQue revestem a casca de cada gravanço,E do rijo inseto arqueiro em seu avançoNa escuridão da manhã, pata farpada por pata farpada,Subindo pela haste do trillium,Diretamente ao longo do céu sobre esta estrada agora,As galáxias do aglomerado de Cygnus AEstão colidindo umas com as outras em…
-
Daniel Jonas – Roma

“Roma”, um poema de Daniel Jonas que converte a cidade eterna em metáfora da relação desfeita, onde a beleza persiste como ruína exposta ao tempo.
-
Maya Angelou – Quando as grandes árvores caem

Quando as grandes árvores caem,rochas de colinas distantes estremecem,leões se escondemna relva alta,e até os elefantesarrastam-se em busca de segurança. Quando as grandes árvores caemna floresta,pequenas coisas recolhem-se ao silêncio,seus sentidoserodidos para além do medo. Quando grandes almas morrem,o ar ao nosso redor se tornaleve, raro, estéril.Nós respiramos, brevemente.Nossos olhos, brevemente,enxergam comuma dolorosa nitidez.Nossa memória,…