Tag: Memória
-
Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

V Céu azul. Cores vivas. Você rindode alguma coisa ou alguém que está à esquerdado fotógrafo. É talvez domingo.É claro que essa sensação de perda não está na foto, não – não está na imagemextremamente, absurdamente nítida.E se fosse menor a claridade,ou se estivesse sem foco, ou tremida, ou se fosse em sépia, ou preto…
-
R. S. Thomas – O campo brilhante

Eu vi o sol avançar atéiluminar um pequeno campopor um momento, segui meu caminhoe o esqueci. Mas aquela era umapérola de grande valor, o único campo comum tesouro dentro dele. Agora perceboque devo dar tudo o que tenhopara possuí-lo. A vida não está em lançar-se para um futuro que se afasta, nem ansiar por um…
-
Gwendolyn Brooks – a mãe

“A mãe”, um poema de Gwendolyn Brooks que aborda a experiência do aborto a partir da perspectiva íntima e emocional de uma mulher que recorda os filhos que não chegaram a nascer.
-
Paulo Henriques Britto – Crepuscular

1.Chegamos tarde. (Era sempre maio,sempre madrugada. Tudo era turvo.Éramos em bando. Por medo. Ou tédio. Havia um lobo à solta na cidadeaberta, e uma loucura provisóriaera a nossa premissa, nossa promessa. Era preciso estar o tempo todoatento, em transe, em trânsito, no assédioa um ou outro flanco do lobo, fugindo de junho, perseguindo o agora,correndo…
-
Joan Margarit – Amar é onde

“Amar é onde”, um poema de Joan Margarit que transforma o amor em território íntimo e duradouro, um lugar invisível onde a vida encontra sua origem e sua permanência.
-
Paulo Henriques Britto – De “Três Epifanias Triviais”

As coisas que te cercam, até ondealcança tua vista, tão passivasem sua opacidade, que te impedemde enxergar o (inexistente) horizonte,que justamente por não serem vivasse prestam para tudo, e nunca pedem nem mesmo uma migalha de atenção,essas coisas que você usa e esqueceassim que larga na primeira mesa —pois bem: elas vão ficar. Você, não.Tudo que…
-
Carlos Drummond de Andrade – Ontem

Até hoje perplexoante o que murchoue não eram pétalas. De como este banconão reteve forma,cor ou lembrança. Nem esta árvorebalança o galhoque balançava. Tudo foi brevee definitivo.Eis está gravado não no ar, em mim,que por minha vez,escrevo, dissipo. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 12/11/2016
-
Ada Limón – Viaduto

“Viaduto”, um poema de Ada Limon que revisita uma lembrança da infância para explorar a relação entre fascínio, natureza e mortalidade.
-
Alan Jenkins – Pertences

Leia Pertences, de Alan Jenkins, um poema comovente sobre luto, memória familiar e os vestígios materiais deixados pelos mortos.
-
Robinson Jeffers – Regresso

Um pouco abstratos e um pouco sábios demais,É tempo de beijarmos a terra novamente,É tempo de deixar que as folhas chovam dos céus,Deixar que a rica vida corra para as raízes novamente.Eu irei para os Sur Rivers feiticeiros,E neles mergulharei meus braços até o peito.Encontrarei minha contabilidade onde treme a folha dos amieirosCom o vento…