Robyn Sarah – Ao fechar o apartamento dos meus avós de abençoada memória

E então eu me vi naquela sala pela vez final.
Mantive-me firme, com a chave em minha mão,
e ouvi o silêncio que era como um som,
e percebi como o longo sol da tarde invernal
baixava de maneira oblíqua ao chão
fazendo florir os veios do assoalho. (Tudo o que eles um dia
possuíram estava guardado aqui.) Na janela gemia
um estilhaço de vento. Em breve eu partiria.

Em breve eu partiria; mas primeiro eu permaneci,
ouvindo a passagem dos anos naquela área desabitada
em que a plenitude ecoava. Em que o conhecido cheiro,
de uma vida tranquila, vivida com simplicidade, se agarrava ali
como uma graça duradoura, um sentimento, uma melodia há muito amada.
Então eu fechei tudo e toquei a campainha do porteiro.

/Trad.: Nelson Santander

On Closing the Apartment of my Grandparents of Blessed Memory

And then I stood for the last time in that room.
The key was in my hand. I held my ground,
and listened to the quiet that was like a sound,
and saw how the long sun of winter afternoon
fell slantwise on the floorboards, making bloom
the grain in the blond wood. (All that they owned
was once contained here.) At the window moaned
a splinter of wind. I would be going soon.

I would be going soon; but first I stood,
hearing the years turn in that emptied place
whose fullness echoed. Whose familiar smell,
of a tranquil life, lived simply, clung like a mood
or a long-loved melody there. A lingering grace.
Then I locked up, and rang the janitor’s bell.

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