Tag: Memória
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Vítor Nogueira – Gelo

Agora é apenas um café com paredes adornadas,imagens retratando destemidos ancestrais.O tempo foi passando, não foi? Um acidenteem câmara lenta a uma escala cataclísmica. Grande parte daquilo que fazemos é construirmemória, uma promessa frágil ao futuro.E pensar que na vida acumulamos tanta coisa,sobretudo se por hábito não deitamos nada fora. Mas ninguém pode travar a…
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Alex Dimitrov – Os anos

Leia “Os anos”, de Alex Dimitrov, um poema melancólico e elegante sobre amizade, memória, juventude e a passagem do tempo.
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Eugenio Montale – O lago de Annecy

Não sei por que minhas memórias te relacionamao lago de Annecyque visitei alguns anos antes de tua morte.Mas na época eu não pensava em ti, era joveme julgava ser o senhor do meu destino.Por que uma memória tão enterrada é capaz deaflorar eu não sei; tu mesmacertamente me enterraste e nem percebeste.Agora ressurges viva, embora…
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Ana Martins Marques – de “Três Postais”

Leia “São Paulo” (de ‘Três Postais’), de Ana Martins Marques, um poema delicado sobre memória amorosa, ausência e a forma como os lugares preservam aquilo que perdemos.
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Jorge Luis Borges – As Causas

Todas as gerações e os poentes.Os dias e nenhum foi o primeiro.A frescura da água na gargantaDe Adão. O ordenado Paraíso.O olho decifrando a maior treva.O amor dos lobos ao raiar da alba.A palavra. O hexâmetro. Os espelhos.A Torre de Babel e a soberba.A lua que os Caldeus observaram.As areias inúmeras do Ganges.Chuang Tzu e…
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Thom Gunn – Natureza morta

Não esquecerei tão cedoA pele amarelo-acinzentada À qual o rosto se havia fixado:Pálpebras apertadas: nada dele,Nenhum tremor interior,Brincava na superfície.Ele ainda respirava, e contudoEsta era uma obscura habilidade.Não esquecerei tão cedoO ângulo de sua cabeça,Mantida imobilizada para trás Na planície estirada do colchão,De volta daquilo que ele não podiaNem aceitar, como uma objeção,Nem, como um…
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Adam Zagajewski – Um breve poema

Eu ouvia cânticos gregorianosnum carro em alta velocidadeem uma rodovia na França.As árvores passavam velozes. As vozes dos mongesentoavam preces a um deus invisível(ao amanhecer de uma capela tremendo de frio).Domine, exaudi orationem meum,vozes graves rogavam calmamentecomo se a salvação estivesse crescendo no jardim.Para onde eu ia? Onde o sol se escondia?Minha vida estava em…
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Nikita Gill – 93 por cento de poeira estelar

93 por cento de poeira estelar(depois de Carl Sagan, que me deu esperança quando criança) Temos cálcio em nossos ossos,ferro em nossas veias,carbono em nossas almas,e nitrogênio em nossos cérebros. 93 por cento de poeira estelar,com almas feitas de chamas,somos todos apenas estrelasque têm nomes de pessoas. Trad.: Nelson Santander 93 Percent Stardust(after Carl Sagan,…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós,morreram meus tios de sangue e por afinidade.Uma família inteira de ferreiros,marceneiros, curtidores, pedreiros,jaz agora sem forças sob a terra. E eu, o mais inútil de todos,o que não sabe fazer nada com as mãos,consegui sobreviver impunementepara chorar diante de uma fotoo melhor do meu sangue. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO:…
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Matthew Olzmann – Carta à pessoa que gravou suas iniciais no mais antigo pinheiro de folha longa da América do Norte

Southern Pines, Carolina do Norte Diga-me como é viver semcuriosidade, sem sentir admiração. Navegarem águas cristalinas, desviando os olhosdos recifes de algas que ondulamabaixo de você, ignorando o cintilardas escamas de sereias no nevoeiro,olhando para o mundo e sentindoapenas tédio. Estarà beira do precipício de algum vale selvagem,as águias circulando, um rebanho de caribustrovejando lá…