Tag: Memória
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Dan Gerber – No final de setembro

Certa estrela, da qual eu gostava,desapareceu. É possível queeu a tenha perdido. Esquecios nomes das nuvens e árvores e rostos, como canções das quaisremanesce apenas uma duradoura melodia.*Pequeno riacho,sob os salgueiros junto à minha cabana alugada —mais minha do que qualquer outra que eu possa possuir —,diga-me novamente o nome secretoque você murmura enquanto estou…
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Ana Martins Marques – Penélope (I)

Leia “Penélope (I)”, de Ana Martins Marques, um poema inspirado na mitologia clássica que explora o tempo, a espera e o constante desfazer da experiência humana.
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Margaret Atwood – Um barco

A noite chega e as colinas adensam-se;desvanecimento rubro e amarelo das folhas.Os gélidos pinheiros se alongam em suas sombras. Abaixo deles, a água silencia,um pôr do sol tremeluzindo nela.Mais um que desce para se juntar aos outros. Agora o lago se expandee se fecha, simultaneamente. A escuridão que se mantém sob a superfície durante o…
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Joan Margarit – Cumprimentar-se

Aprendeste o gesto com os anos.Encontras o vizinho, vos cumprimentais,lado a lado, dois velhos na calçadacada um fechando a própria porta.As casas. E a convenção generosade algumas palavras na rua.Para além, já nada mais restaque esta paixão final, a calmasolitária e feroz das recordaçõessob um pedaço de azul nítido como um cálculo.Em seu quintal, cada…
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Elizabeth Bishop – A Arte de Perder

A arte de perder não é nenhum mistério;Tantas coisas contêm em si o acidenteDe perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,A chave perdida, a hora gasta bestamente.A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério:Lugares, nomes, a escala subseqüenteDa viagem não…
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Alison C. Rollins – Para quem me lê agora

Para quem me lê agora depois de Jorge Luis Borges Você é invulnerável.A única constante é a mudança.Tal repetição leva à nostalgiado presente. Tenso e tímidovocê recita este livro de cor. Àscegas, você me confia à memória.O calvo e impertinente filósofosabe que o caráter do homem é o seu destino.Este poema – não vivo, mas…
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Ricardo Silvestrin – Bilhete

Não me parecias frágil,via-te doce.Talvez fosses mesmo forte,é preciso ser valentepra decretar a própria morte. Tinha-te por calmo.Que rio obscuro e discretote puxava para o fundo,sem saber nadar,sem ninguém saber de nada? Não deixaste uma carta,um poema, um bilhete de suicida.Como se quisesses dizerque a mortenão deve explicações à vida REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog…
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Angela Melim – Meu pai nos abandonou

Meu pai nos abandonou.Minha mãe casou e mudou.Vovó morreu.Os irmãos sumiram no mundoou submundo.Sem explicaçãoYvonne nunca mais falou comigoe, para Ronaldo,sou fantasma do passado.Vejo meus filhos já voando.Nem um pássaro na mão. in http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2007/12/angela-melim-mencionada-por-laura-erber.html REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 26/03/2017
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

(…) ii Não volta mais, aquele voo cego rumo ao que nunca esteve lá, porémsó surge em pleno ar. E não renegoa rota tonta que segui. Ninguémse faz em linhas retas. Todo portoa que se chega é a meta desejada.E o caminho tomado, por mais torto,acaba sempre sendo a exata estradaa dar naquilo que, afinal,…
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Jack Gilbert – O vale abandonado

O retorno imaginado a um vale vazio revela o que a passagem do tempo retirou da paisagem e de quem a habitou. Ausência e memória transformam o lugar abandonado em medida de uma vida desaparecida.