Tag: Memento Mori
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Jack Gilbert – Fracasso e voo

O fracasso não encerra a experiência: dele pode nascer uma forma inesperada de grandeza. Jack Gilbert aproxima amor, casamento e mortalidade para observar como a vida se eleva justamente quando aceita risco e imperfeição.
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Hart Crane – Louvor a uma urna

Louvor a uma urna In Memoriam: Ernest Nelson Era do norte o rosto ternoDe falso exilado, juntandoDe Pierrô o olhar eternoE a gargalhada de Gargantua. Os sonhos que me confiavaDo travesseiro branco, insone,Agora eu sei, eram heranças –Corcéis suaves do ciclone. No monte oblíquo a lua oblíquaNos deu presságios indistintosDo que ainda vivo o morto…
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Alison C. Rollins – Para quem me lê agora

Para quem me lê agora depois de Jorge Luis Borges Você é invulnerável.A única constante é a mudança.Tal repetição leva à nostalgiado presente. Tenso e tímidovocê recita este livro de cor. Àscegas, você me confia à memória.O calvo e impertinente filósofosabe que o caráter do homem é o seu destino.Este poema – não vivo, mas…
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Ana Martins Marques – Interiores

AÇUCAREIRO De amargobastao amor Agridoce,ela disse Mas a mimpareceuamargo CADEIRA I Repetesdiariamenteos gestosdo primeiro homemque se sentounuma tarde quenteolhando as savanas II Pousode gigantescos pássaroscansados FRUTEIRA Quem se lembrou de pôr sobre a mesaessas doces evidênciasda morte? CRISTALEIRA Guardae revelaa nudezbrancada louçao incêndiodespareadodos cristais TALHERES Colher Se o sol nelabatesseem cheiopor exemplonuma mesa postano jardimimediatamente…
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Lisel Mueller – Há manhãs

Mesmo agora, quando o enredoexige que eu me torne pedra,o sol intervém. Em certas manhãsde verão saio de casae o céu se abree se derrama dentro de mimcomo se eu fosse uma santaprestes a morrer. Mas o enredoexige que eu viva,seja comum, não diga nadaa ninguém. Dentro de casaos espelhos ardem quando passo. Trad.: Nelson…
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Ricardo Silvestrin – Bilhete

Não me parecias frágil,via-te doce.Talvez fosses mesmo forte,é preciso ser valentepra decretar a própria morte. Tinha-te por calmo.Que rio obscuro e discretote puxava para o fundo,sem saber nadar,sem ninguém saber de nada? Não deixaste uma carta,um poema, um bilhete de suicida.Como se quisesses dizerque a mortenão deve explicações à vida REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog…
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Jean Sprackland – Perdendo o escuro

Novembro, quando o dia deveria terminar mais cedocomo um livro maçante. Mas naquela tardeuma pequena nuvem em forma de ponto de interrogaçãopassou sobre o sol e se dissolveu.Seis horas; oito; dez. E a luz do diaainda inundava a rua espantada. Uma dádiva. Como uma daquelas noites de verãoem que nos sentamos, copo na mão,sob a…
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Rosanna Warren – Comparação

Como quando seu amigo, excelente esquiador austríaco, na históriaque ela sempre nos contava, teve que encararseu primeiro salto olímpico de esqui e, darampa de largada sobre o desfiladeiro que mergulhavatão vertiginosamente que sua borda inferiordesaparecia de vista, olhoupara um horizonte de Alpes que nadava e balançava ao seu redorcomo barcos de brinquedo em uma banheira,…
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Annie Dillard – Como consumimos nossos dias

Como consumimos nossos diasé, evidentemente,como consumimos nossas vidas. O que fazemos com esta hora,e com aquela,é aquilo que fazemos. Um calendárioprotege do caos e do arbítrio. É uma redepara capturar dias.É um andaime sobre o qual um trabalhadorpode ficar em pée laborar com ambas as mãos em espaços de tempo.Um calendário é uma maqueteda razão…
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Yehuda Amichai – O Corpo é a Causa do Amor

Primeiro o corpo é a causa do amordepois a fortaleza que o protegepor fim seu cárcere.E quando o corpo morre, o amor jorracaudalosamentecomo de um caça-níqueis clandestino quebradojorram de súbitocom estrondotodas as moedas de geraçõese gerações entregues à própria sorte. Trad.: ? REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 19/02/2017