Tag: Memento Mori
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Juan Luis Panero – Epitáfio diante de um Espelho

Dura há de ser a vida para ti,que tuas crenças sacrificastes a uma estranha honradez,para ti, cuja única certeza é tua memóriae, portanto, teu sepulcro mais infausto.Dura há de ser a vida, quando os anos passareme por fim destruírem a ilusória pátria da tua adolescência,quando vires, como hoje, este fantasmaque tempos atrás te consolou com…
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Mary Oliver – Garças

Onde o caminho se encerrava, por entre folhas matizadas, galhos caídos, através de nodosas salsaparrilhas, eu continuei. Por fim, não pude salvar meus braços dos espinhos; logo os mosquitos sentiram meu cheiro, quente e ferido, e vieram girando e gemendo. E foi assim que cheguei na beira do lago: escuro e vazio exceto por um…
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezopelo que é transitório e finito. Não servireisenhor que possa morrer. Mas passamosa vida a amar todas as fragilidadesdas coisas que cessam. Hácoisa mais breve do que um sorriso?Coisa mais curta que a alegriade um reencontro? Tudo o que amamosé passageiro e frágil ouas duas coisas. Mas persegue-nosa nostalgia do infindávelcomo uma tara hereditária.…
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Dylan Thomas – E a Morte não terá nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio. Nus, os mortos irão se confundir Com o homem no vento e a lua no poente; Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó, Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos; Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos, Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir; Ainda…
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Judith Hemschemeyer — Naquele verão

Naquele verãodepois que você se enforcousem perguntar a ninguém que o amavase eles podiam suportar dei por mim arrastando mangueirasregando cada centímetro desse imenso gramadodia após diaperfeito obcecadaincapaz de deixar mais alguma coisauma única folha de gramamorrer. Trad.: Nelson Santander That Summer That summer after you hanged yourself without asking anyone who loved you if…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa,que a vida está um desertoe o coração só me pulsasombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa,que a lua avança no mare há salobros fantasmasque não quero visitar. Vamos beber qualquer coisaamarga, rascante, rude,brindando sobre o…
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Ellen Bass – Rendição

Pensei que ela iria querer me poupardaquilo, do mau cheiro e da vergonha,mas na última semana, a da morte,minha mãe me deixou trocar suas fraldas,me deixou secá-la com um pano úmido e quentee deslizar o lençol sob os seus quadris,a pele amolecendo, os ossos dilatando,a gravidade chamando-a de volta a terra como algum fruto caído.Eu…
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Josep M. Rodríguez – matéria e forma

Como expressar dor na dor ao saber da morte de uma amiga. Não sei o que fazer. Do mesmo modo que a água é anterior ao rio e a matéria antecede a luz, mas é a luz que lhe confere forma, assim se cala a dor dentro de mim até que há algo lá fora…
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Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorreré um viaduto sobre uma rodoviaque dá medo de olhar, porque o abismoimplacável me chama.Agora que morreu a esperançacomo uma ave expulsa de seu ninhopor irmãos mais fortes.Agora que é noite o dia todo,inverno o ano todoe as semanas só têm segundas-feiras,onde olhar, para onde voltar os olhos,que eu…
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João Cabral de Melo Neto – Como a Morte se Infiltra

Certo dia, não se levantaporque quer demorar na cama. No outro dia ele diz por que:é porque lhe dói algum pé. No outro dia o que dói é a perna,E nem pode apoiar-se nela. Dia a dia lhe cresce um não,um enrodilhar-se de cão. Dia a dia ele aprende o jeitoem que menos lhe pesa…