Tag: Memento Mori
-
Joseph Hillman – Para capturar a mim mesmo

Para capturar a mim mesmoeu devo cavar um buraco Perfurar a película quesepara a vida da morteCom pá, pá de corteou mãos afiadas Fazer a terra desabrocharEm uma floração de preto e ocre Permitir que os muros se ergamao meu redor comodesmoronadoscortinadosengolindo-me inteiroenquantovou maisfundo Mais fundonaquele buraco Tão fundo quenão posso sairnovamentee tenho queviver oresto…
-
Alberto Ríos – Coelhos e fogo

Leia “Coelhos e fogo”, de Alberto Ríos, um poema impactante sobre sofrimento, compaixão e a vulnerabilidade de todos os seres vivos.
-
Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
-
Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

VII Nada disso foi do jeito que eu quis.Se fosse como eu quis, não haveriade ser tão sofrido, tão infeliz.Mas eu – o eu que sou – eu não seria. Assim, não me lamento. Até me sintocomo quem tem não o que foi pedido,e sim o que, guiado pelo instinto,não pelo querer, teria querido. O…
-
Paulo Henriques Britto – De “Seis Sonetos Soturnos”

I A qualquer hora, o que se chama vidapode mudar da água pro vinho. Ou vice–versa. Cada palavra proferida —uma sentença grave, uma tolice —pode retornar feito um bumeranguecapaz de destruir o que encontrar.E nada que se funde em carne e sangueescapa dessas bólides de ar:o amor e demais estados de graça,reputações, ações, fazendas, gado,longos…
-
Paulo Henriques Britto – Memento Mori II

Luz frágil que brota no breue num rápido relance dá formae cor e corpo às coisas todas, luz que se apega o pouco que podeàs aparências, acredita piamenteno sonho de substância que secretam, luta com todas as parcas forçascontra o conforto de apagar-se enfimpor trás de duas implacáveis pálpebras. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente…
-
Paulo Henriques Britto – Memento Mori I

Nenhum sinal da solidão se vêlá onde o amor corrói a carne a fundo.Dentro da pele, no entanto, vocêé só você contra o mundo. Esta felicidade que abasteceseu organismo, feito um combustível,é volátil. Tudo que sobe desce.Tudo que dói é possível. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 26/12/2022
-
Paulo Henriques Britto – De “Três Epifanias Triviais”

As coisas que te cercam, até ondealcança tua vista, tão passivasem sua opacidade, que te impedemde enxergar o (inexistente) horizonte,que justamente por não serem vivasse prestam para tudo, e nunca pedem nem mesmo uma migalha de atenção,essas coisas que você usa e esqueceassim que larga na primeira mesa —pois bem: elas vão ficar. Você, não.Tudo que…
-
Ada Limón – Viaduto

“Viaduto”, um poema de Ada Limon que revisita uma lembrança da infância para explorar a relação entre fascínio, natureza e mortalidade.
-
Alan Jenkins – Pertences

Leia Pertences, de Alan Jenkins, um poema comovente sobre luto, memória familiar e os vestígios materiais deixados pelos mortos.