Tag: Memento Mori
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Laura Liuzzi – Fio Sem Fim

Chega-se, enfim, à última páginaembora deixe claro: não se chegaao fim. Um mesmo fio fino frágilmas firme, da mesma fibra de rioconduz memória e história: storage— está estendido para sempree para sempre soará, suaráa cada renovação do sol, mesmoquando atingirmos o final —mesmo assim não se chegaráao fim. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em…
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Mary Oliver – Encontrando a raposa

Quando encontrei a raposa hoje – um ourotão vivo em seus olhos –nenhuma de nósse moveu, embora apenas uma de nós tenha sido imediatamente tomadade admiração. Suas patas estavamapoiadas em seu movimentode brusca parada, suas orelhas, para frente apontadas,a fim de ouvir como minha língua poderia ser,mas eu não dissenada, não havia palavra para a…
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Kerry Hardie – Navio da morte

para minha mãeObservando-a, pela primeira vez,virar-se para preparar o seu barco, minha mãe;quando ficou claro que você tinha outros assuntos agora —os assuntos do seu futuro —fui inundada pela raiva.Foi uma primeira sondagem,um olhar lançado sobre velas, remos, mastros,como aquele olhar experiente que muitas vezes viperscrutando a mesa farta.Como pode você planejar partir assimquando finalmente…
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Ivan Junqueira – No Leito Fundo

No leito fundo em que descansas,em meio às larvas e aos livores,longe do mundo e dos terroresque te infundia o aço das lanças; longe dos reis e dos senhoresque te esqueceram nas andanças,longe das taças e das danças,e dos feéricos rumores; longe das cálidas criançasque ateavam fogo aos corredorese se expandiam, quais vapores,entre as alfaias…
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J.C. Todd – Velhos Amigos, Aqui e Adeus

Ei, pervertida, ele diz, olhando-me, no funeralde nossa amiga, causa da morte: um câncer nasentranhas do cérebro no interior da estrutura ósseaque dava ao seu rosto tanta beleza. Durante a químio,seu encanto se igualou aos reveses – seu couro cabeludoà mostra e os músculos de sua mão esquerda muito fracospara segurar um pincel. Ele a…
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Ivan Junqueira – Antes que o Sol se Ponha

Antes que o sol se ponha e seja tarde,e o azul crepuscular me deite a garra,e eu, nu, retorne à terra sem fanfarraou mortalha que o corpo me resguarde;antes que murche a pétala na jarra,e eu cale, para sempre, sem alarde,e tudo o que me coube, por covarde,não mais recorde a relva que se agarraàs…
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Ivan Junqueira – Lição

À beira do claustroo monge se inclinae na pedra aprendeo que a pedra ensina:que a vida é nadacom a morte por cima,que o tempo apenaseste fim lhe adiae que o ser carecede não ser ainda,pois à luz se esquivado que o purifica:a doce pedra,sem musgo ou limo,o pátio só,conquanto o sino,o ermo das coisassimples e…
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Ferreira Gullar – Traduzir-se

Uma parte de mimé todo mundo;outra parte é ninguém:fundo sem fundo. Uma parte de mimé multidão:outra parte estranhezae solidão. Uma parte de mimpesa, pondera;outra partedelira. Uma parte de mimalmoça e janta;outra partese espanta. Uma parte de mimé permanente;outra partese sabe de repente. Uma parte de mimé só vertigem;outra parte,linguagem. Traduzir-se uma partena outra parte– que…
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Li-Young Lee – Das flores

Das flores vemeste saco de papel pardo com os pêssegosque compramos do meninona curva da estrada onde dobramos em direção às placas escritas Pêssegos. Dos galhos carregados, das mãos,da doce comunhão nas latas,vem o néctar da beira da estrada, suculentospêssegos que devoramos, com a pele empoeirada e tudo,vem o pó familiar do verão, pó que…
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Javier Salvago – Canção para esse dia

Agora simjá se vêo porvir.Agora simé o fim que está aqui. Que esta é– agora sim –a vetustez:a aridez,não esperarnenhum trem. Agora simo naviovai partir.Sem saberse é o fimou o além. Acabou,não há maisshow.Cai a cortina,Diz adeuso ator. Agora simé o fimque está aqui.Agora simjá se vêo porvir. Trad.: Nelson Santander Canción para ese día…