Tag: Família
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Linda Pastan – Chove sobre a casa de Anne Frank

Chove sobre a casade Anne Franke sobre os turistasamontoados sob a sombrade seus guarda-chuvas,sobre os perfeitamente silenciososturistas que prefeririam estarem outro lugarmas que aqui esperam em escadastão íngremes pelas quais devem subirpara alguma ocasiãono sótão vazio,no banheiro pitoresco,no esqueletode uma cozinhaou no mapa —cada uma de suas setasuma farpa de arame —com todas as datas,…
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X. J. Kennedy – O objetivo do tempo é evitar que tudo aconteça de uma só vez

Imagine que sua vida seja um telescópio dobradoAtemporal, que desmoronou num piscar de olhosDo ventre de sua mãe, você, berrando, caiEm uma casa de repousos. Imagine que você destrói Seu carro, seu casamento — uma criança devastando Um campo de margaridas, estudante, adolescente espinhentoCom a amada, fechando às pressas o zíper das calçasAo ouvir os…
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Joan Margarit – Manhã no cemitério de Montjuïc

Fui à colina dos túmulos:lá cheguei cruzando o ermoda Can Tunis, coberto de seringase de plásticos pardacentos, onde tremem, errantes,as estátuas de trapo dos drogados.Corre o boato de que a Prefeiturairá destruí-lo, cobrindo de concretoos terrenos com mato em frente à enorme grade do cemitério, erguida de frente para o mar.Que má companhia será para…
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Eavan Boland – O barógrafo

Encontrei-o no cais,um retângulo de madeira,um barógrafo, sua pena traçando o papel. Trouxe-o para casa para serum registro dos ventos,da pressão crescente, capaz de escrever a sina barométricado nosso cotidiano, lá atrás,num mundo em que carrinhos de livros ao vento junto ao rioprometiam palavras selvagens,mas obedeciam ao censor. Bancos em College Greenregistravam Libras nos livros-caixa,pence…
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Ana Martins Marques – A porta de saída

“Eu vou morrer, masisso é tudo o que farei pela Morte”Edna St. Vincent Millay, Objeção de consciência “Alô, iniludível” Manuel Bandeira, Consoada A porta de saída Mas não serei eua colocar-lhe a mesa– quando chegarencontrará a casa como sempreem desordemcheia de livros e discoscom plantas e gatos ao sole os papéis em órbitaem torno da camae…
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José Miguel Silva – Desculpas não faltam

Uma casa junto ao Vouga,rio de água suficiente,onde apenas se mergulhaaté à cintura, a pequena hortade Virgílio, o amor robustecidopor nenhuma esperançae tantos livros para ler– que desculpa vou agora darpara não ser feliz?
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Ellen Bass – O panorama geral

Eu tento ver o panorama geral.O sol, língua ardenteque nos lambe como uma mãe encantada por sua nova cria, se consumirá.Tudo é transitório.Pense no meteoro que aniquilou os dinossauros.E antes disso, nos vulcõesdo Permiano — todas aquelas samambaias e répteis, tubarões e peixes ósseos queimados —que foram extintos em uma escalaque faz com que nossas…
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Philip Larkin – Canções de amor na velhice

Ela guardou canções, tomavam pouco espaçoE as capas lhe eram belas:Uma que apanhou sol e de matizes baços;Uma cheia de círculos de jarra d´água;Uma colada, num “acesso de ordem” dela,E colorida, pela filha – aguar-daram assim, até que em sua viuvez asAchou, procurando algo, e pôs-se dessa vez a Reaprender como cada acorde, obedienteE franco,…
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Ursula K. Le Guin – Hino ao tempo

O Tempo diz “Que haja”e instantaneamente, a todo instante,existe espaço e o esplendorde cada galáxia brilhante. E olhos contemplando o céu cintilante.E a dança dos mosquitos, tremulante.E a extensão do mar.E a morte, e o azar. O tempo deixa espaçopara ir e voltar para casae no ventre do tempotudo começa e acaba. Tempo é ser…
