Tag: desejo
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Linda Pastan – Estou aprendendo a abandonar este mundo

Estou aprendendo a abandonar este mundoantes que ele possa me abandonar.Já renunciei à luae à neve, fechando minhas persianascontra as reivindicações do branco.E o mundo levoumeu pai, meus amigos.Abandonei as linhas melódicas das colinas,mudando para uma paisagem plana, dissonante.E toda noite abandono meu corpo,membro por membro, seguindoatravés dos ossos, em direção ao coração.Mas a manhã…
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Darcy Ribeiro – Amor

“Amor”, um poema de Darcy Ribeiro que assume a paixão como força carnal absoluta, onde dois corpos se afirmam contra o mundo na vertigem do desejo.
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Ada Limón – Estrelas extintas

Aqui fora, até as árvores se curvam. A mão gelada do inverno nas costas de todos nós.Casca escura, folhas amarelas escorregadias, uma espécie de quietudetão silenciosa que parece pertencer a outra era.Ultimamente, sou uma morada de aranhas: um ninho de tentativas.Apontamos para as estrelas que compõem Órion enquanto levamos o lixo pra fora, os contêineres…
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Wendell Berry – A cobra

No final de outubroencontrei no chão da florestauma pequena cobra cujas costastinham o padrão da escuridãodas folhas mortas em que ela estava deitada.Seu corpo fora engrossado por um ratoou um pequeno pássaro. Ela estava fria,tão entorpecida com a barriga cheiae o ar do outono que mal se dava ao trabalho de mexer a língua.Eu a…
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Jorge de Sena – Conheço o Sal

“Conheço o Sal”, um poema de Jorge de Sena que transforma a intimidade dos corpos em matéria sensorial e simbólica, onde o sal do encontro amoroso se torna marca indelével da fusão entre dois seres.
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Ellen Bass – O importante é

O importante é amar a vida, ama-la mesmoquando você não tem estômago para issoe tudo o que você prezouse esfarela feito papel queimado em suas mãos,a garganta repleta desse lodo.Quando a dor se senta ao seu lado, seu calor tropicalcondensando o ar, pesado como água, mais próprio para guelras que para pulmões;quando a dor pesa…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A última vez de Casanova

Giacomo se envolve no crepúsculo do Florian Perguntas-me, Lesbia, quantos dos teus beijosseriam suficientes para me satisfazer.Catulo Enquanto beijo tua boca, docedonzela na conquista, mordoas comissuras de tua mãee os lábios que tuas irmãscedem ao peso do desejo;beijo as próximas mulheresdistantes e ainda desconhecidaspor minha cobiça, aquelasque um dia serão tu em outratu, que agora…
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Louise Glück – Aubade

Hoje, acima do canto da gaivota,ouvi você me acordar novamentepara ver aquela ave, voandotão estranhamente sobre a cidade,não querendo parar, desejandoa desolação azul do mar — Agora ela contorna o subúrbio;contra si, a luz violenta do meio-dia: Eu sinto a fome delacomo sua mão dentro de mim, um gritotão comum, desafinado — O nosso não…
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Lisel Mueller – Desenhos de criança

1 O sol pode estar visível ou não(pode estar atrás de você,o expectador dessas imagens)mas o céu é sempre azulse é dia. Se não,as estrelas estão quase ao seu alcance;inclinadas, elas chegam até você,na iminência de cair.Nunca é nascer ou pôr do sol;não há nenhum olho ensanguentadoespiando você no horizonte.É claramente dia ou noite,é brilhante…
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Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho
![Pádraig Ó Tuama – Como [não] ser sozinho](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2021/07/alone.png)
Como não ser sozinho Tudo começa com a compreensãode que nada dura para sempre.Por isso, é melhor você começar a fazer as malas agora.Mas, nesse meio tempo,pratique estar vivo. Haverá uma festaem que você sentiráque ninguém está prestando atenção em você.E haverá outraem que atenção é tudo o que você receberá.O que você precisa fazeré…