Ada Limón – Estrelas mortas

Aqui fora, até as árvores se curvam.
A mão gelada do inverno nas costas de todos nós.
Casca escura, folhas amarelas escorregadias, uma espécie de quietude
tão silenciosa que é quase de outra era.

Ultimamente, sou uma morada de aranhas: um ninho de tentativas.

Apontamos para as estrelas que formam Órion enquanto levamos o lixo
pra fora, os contêineres coletores, uma canção de trovão suburbano.

É quase romântico, enquanto ajustamos a lixeira azul
encerada, até que você diz, Cara, nós realmente deveríamos estudar
algumas novas constelações.

E é verdade. Estamos sempre esquecendo de Antlia, Centaurus,
Draco, Lacerta, Hydra, Lyra, Lynx.

Mas sobretudo estamos esquecendo que somos estrelas mortas também, minha boca está cheia
de poeira e eu desejo reivindicar a ascensão —

inclinar-me sobre os refletores dos postes de iluminação com você, em direção
ao que temos de maior dentro de nós, em direção a como nós nascemos.

Veja, não somos coisas nada espetaculares.
Nós chegamos até aqui, e sobrevivemos. O que

aconteceria se decidíssemos sobreviver mais? Amar mais?

E se nos levantássemos com nossas sinapses e carnes e disséssemos: Não.
Não, à onda crescente.

Pelas inúmeras bocas sem fala do mar, da terra?

O que aconteceria se usássemos nossos corpos para barganhar

pela segurança de outros, pela terra,
se proclamássemos uma noite limpa, se deixássemos o medo de lado,

se lançássemos nossas demandas para o céu, e nos tornássemos tão grandes
que as pessoas pudessem apontar para nós com as setas que elas criam em suas mentes,

rolando suas latas de lixo pra fora, depois que tudo isso terminasse?

Trad.: Nelson Santander

Dead Stars

Out here, there’s a bowing even the trees are doing.
Winter’s icy hand at the back of all of us.
Black bark, slick yellow leaves, a kind of stillness that feels
so mute it’s almost in another year.

I am a hearth of spiders these days: a nest of trying.

We point out the stars that make Orion as we take out
the trash, the rolling containers a song of suburban thunder.

It’s almost romantic as we adjust the waxy blue
recycling bin until you say, Man, we should really learn
some new constellations.

And it’s true. We keep forgetting about Antlia, Centaurus,
Draco, Lacerta, Hydra, Lyra, Lynx.

But mostly we’re forgetting we’re dead stars too, my mouth is full
of dust and I wish to reclaim the rising—

to lean in the spotlight of streetlight with you, toward
what’s larger within us, toward how we were born.

Look, we are not unspectacular things.
We’ve come this far, survived this much. What

would happen if we decided to survive more? To love harder?

What if we stood up with our synapses and flesh and said, No.
No, to the rising tides.

Stood for the many mute mouths of the sea, of the land?

What would happen if we used our bodies to bargain

for the safety of others, for earth,
if we declared a clean night, if we stopped being terrified,

if we launched our demands into the sky, made ourselves so big
people could point to us with the arrows they make in their minds,

rolling their trash bins out, after all of this is over?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s