Tag: Carpe Diem
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Amalia Bautista – S.O.S.

Protege-me do medo e das sombrasdefende-me de todas as tristezas,exila de minha vida o desconsolo,se puderes, com teu amor, se nãocom o fim do mundo ou com a minha morte. Trad.: Nelson Santander S.O.S Protégeme del miedo y de las sombras,defiéndeme de todas las tristezas,destierra de mi vida el desconsuelo.si puedes, con tu amor, y…
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Filipa Leal – Estátua da Liberdade

E ali estava – nós a atravessarmos de barco a alegria: o pai ainda de bigode, de chapéu castanho, a mãe de óculos e echarpe, a Marta que em breve seria mãe também mas não sabia que transportava no útero mais um passageiro, o Miguel, pequenino e corajoso, sempre a tentar que os pés não…
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Joan Margarit – Vida Social

Idealizavas esta solidãopara ouvir música ou ler,e caminhar no inverno junto ao mar.Mas a solidão é uma chuvaque suja as janelas deste trem dos anos.A solidão é a palavra crueldo acre ressentimento familiar.É a lei do acaso, um labirinto injusto.É não ter dinheiro, é ter medo.É o sexo, uma estranha pista falsaque conduz ao mais…
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Manuel António Pina – Quinquagésimo ano

São muitos dias (e alguns nem tantos como isso…) e começa a fazer-se tarde de um modo menos literário do que soía, (um modo literal e inerte que, no entanto, não posso dizer-te senão literariamente). Mas não há pressa, nem se vê ninguém a correr; a única coisa que corre é o tempo, do lado…
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Vasco Gato – Repara nos velhos

Repara nos velhos. Dementes, doridos, restos de casas. Vivem agora a lepra de todos nós. Não lhes chegamos. Tresandam. Esquecem. Apoderam-se do nada. E nós, capitosos, brindamos com o vinho que também eles sorveram, desdenhando a morte que, amarga como a nossa indiferença, haveremos de provar.
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Adelaide Ivánova – os anos noventa

você não estava lá nas coisas mais decisivas da minha vida mas é assim mesmo: historiadores e arqueólogos nunca estiveram presentes pra testemunhar os levantes coletivos isso fazem os jornalistas e os videntes você era apenas um menino quando kurt cobain morreu nem poderia ainda saber o dano que causaria sua existência de crisálida taurino…
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Heinrich Heine – Chegou a morte

Chegou a morte – agora vou Dizer o que o orgulho não Me permitiu: meu coração Tão só por ti pulsou, pulsou. Já estou fechado no ataúde, Descem-me à cova. A calmaria Me abraça enfim, mas tu, Maria, Por mim irás, muito amiúde, Chorar, e pra quê, afinal? Consola-te, este é o destino Humano: o…
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Konstantinos Kaváfis – Lembra, corpo…

Lembra, corpo, não só o quanto foste amado,não só os leitos onde repousaste,mas também os desejos que brilharampor ti em outros olhos, claramente,e que tornaram a voz trêmula – e que algumobstáculo casual fez malograr.Agora que isso tudo perdeu-se no passado,é quase como se a tais desejoste entregaras – e como brilhavam,lembra, nos olhos que…
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Helder Moura Pereira – “Eras mesmo a fonte de tudo…”

Eras mesmo a fonte de tudo, pelo menos naquele dia a que chamamos perfeito. Os dias tinham-se entranhado nos dias, a tal ponto que a vida era só dias, dias a seguir uns aos outros. Apenas dias. De olhos vendados e sem bater numa única parede, pegados a isto, ao cheiro reconhecido só quando um…
