Ivan Junqueira – O tempo que me resta

Qual o tempo que me resta?
Poderei medi-lo em pétalas
de alguma flor que fenece,
a última da sua espécie?

Poderei fazê-lo em décimos
de um segundo que parece
durar mais do que uma década
ou quem sabe todo um século?

O que é o tempo? Uma névoa
que na ampulheta escorrega,
ou algo que se esfarela
como a areia do deserto?

Será o tempo esse périplo
que não finda nem começa
e que flui antes de que Eva
surgisse de uma costela?

Será ele o tal mistério
de que Agostinho, nas prédicas,
foi o mais cabal intérprete
mas nunca nos disse o que era?

Qual o tempo que me resta?
O de um dia ou o que medra
entre o agora e o que me espera
no sol-posto das exéquias?

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