Tag: Carpe Diem
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Louise Glück – Manhã clara

Eu já os observei por tempo suficiente,posso me dirigir a vocês do jeito que eu quiser — Tenho me submetido às suas preferências, observando pacientementeas coisa que vocês amam, comunicando-me apenas através de veículos, emdetalhes da terra, como preferem, gavinhasde clematis azul, luz de fim de tarde —vocês jamais aceitariam uma voz como a minha,…
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Louise Glück – Trillium*

Quando acordei, estava em uma floresta. A escuridãoparecia natural, o céu entre os pinheirosrepleto de muitas luzes. Eu não sabia nada; eu não podia fazer nada além de olhar.E enquanto observava, todas as luzes do céuse apagaram para formar uma única coisa, um fogoardendo por entre os frescos abetos.Então, não era mais possível olharpara o…
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Braulio Tavares – [para mim tanto faz]
![Braulio Tavares – [para mim tanto faz]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/10/images-13.jpeg)
para mim tanto fazestar alegre ou tristeeu preciso é que o tempo voe,que o tempo viva a gente só lembraque o segundo existequando vê um relógioem contagem regressiva
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Joan Margarit – Piscina

Não temia a água, mas a ti,era teu medo o que eu temia,e o lugar mais profundo,em que não se veem os azulejos do fundo.Arrastaste-me até lá, lembro aindaa força de teus braços obrigando-me,enquanto tentava abraçar-me a ti.Não aprendi a nadar até muito tempo depois,e esqueci tuas tentativas de ensinar-me.Agora que já nunca voltarás a…
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A. M. Pires Cabral — Confesso que voei

1 Mas, se nestas seis décadas e meia eu fui capaz de algum voo — concedo: semelhante ao das galinhas, isto é, rudimentar, desgracioso, com muitíssimo dispêndio de energia para pouca ascensão, breve e apenas em desespero de causa; em todo o caso uma forma de voo pelo qual me sustentei no ar em horas…
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Margaret Atwood – O momento

O momento em que, depois de muitos anosde trabalho árduo e uma longa jornada,você está de pé no centro de seu quarto,casa, meio acre, milha quadrada, ilha, país,sabendo enfim como chegou ali,e diz: isto é meu, é o mesmo momento em que as árvores soltam seus braços macios de ao redor de você,as aves retomam…
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Ferreira Gullar – Thereza

Sem apelo no vórtice do dia no abandono do chão na lâmina da luz feroz fora da vida desfaz-se agora a minha doída desavinda companheira
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Vasco Miranda – de “Invenção da Manhã”

20 Olha Jorge quando vier a morte E virá cedo “Não deixes fechar-me os olhos” Eflorescências salitrosas me rebentarão das órbitas Para queimar as mãos que fechar-mos queiram – Não pode a luz negar-se a quem bêbado dela Inventou em cada dia uma madrugada E eis tudo quanto deixo a quem me herde Não Jorge…
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Luís de Góngora – Estamos desperdiçando a páscoa, moças

Estamos desperdiçando a páscoa, moças, Estamos desperdiçando a páscoa! Moçoilas do meu distrito, Louquinhas e confiantes, Que não vos engane o tempo, a idade e a confiança. Não deixeis cortejar-vos o frescor da juventude, porque de flores caducas tece o tempo suas grinaldas. Estamos desperdiçando a páscoa, moças, Estamos desperdiçando a páscoa! Voam os velozes…
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Ivan Junqueira – O tempo que me resta

Qual o tempo que me resta? Poderei medi-lo em pétalas de alguma flor que fenece, a última da sua espécie? Poderei fazê-lo em décimos de um segundo que parece durar mais do que uma década ou quem sabe todo um século? O que é o tempo? Uma névoa que na ampulheta escorrega, ou algo que…