Tag: Carpe Diem
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William Stafford – Uma cópia de arquivo

Deus tira seu retrato: não desvie o olhar –agora, neste quarto, seu rosto inclinadoexatamente como é, antes de você pensarou controla-lo. Vá em frente, deixe-se trair portodas as urgências secretas e ainda mantenhaaquele disfarce parcial que você chama de caráter. Mesmo o seu lábio, dizem, o modo como ele arqueiaou não, ou hesita, entregarávolumes de…
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Nicanor Parra – Último brinde

Querendo ou não,só temos três alternativas:o ontem, o presente e o amanhã. E nem sequer três,pois, como diz o filósofo,ontem é ontem,é nosso apenas na memória:à rosa que já se desbastounão se pode arrancar outra pétala. As cartas por jogarsão apenas duas:o presente e o dia de amanhã. E nem sequer duas,porque é um fato…
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Lawrence Ferlinghetti – Allen Ginsberg morrendo

Allen Ginsberg está morrendoEstá em todos os jornaisEstá no noticiário noturnoUm grande poeta está morrendoMas sua voznão vai morrerSua voz está na terraNo Baixo Manhattanna sua camaele está morrendoNão há nadaa fazer sobre issoEle está morrendo a morte que todos enfrentamEle está morrendo a morte do poetaEle tem um telefone em sua mãoe liga para…
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Bertrand Russell – de “No que acredito”

“Acredito que ao morrer apodrecerei e nada do meu eu sobreviverá. Não sou jovem e amo a vida. Mas desdenho tremer de terror à ideia do aniquilamento. A felicidade não se torna menos verdadeira por ter que chegar ao fim, e o pensamento e o amor não perdem o seu valor por não durarem para…
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Marisa de la Peña – O tempo que nos resta

“Somos o tempo que nos resta” J. M. Caballero Bonald. É isso o que somos: o tempo que nos resta, o último batimento interrompido, a palavra não dita, o deserto cruzado, e o caminho sem nome que deixamos para trás. Somos o abandono, a intempérie, as luzes apagadas, e as portas, fechadas para sempre, ao…
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Hugo Mujica – Há escassos dias

Há escassos dias morreu meu pai,há muito tempo atrás. Caiu suavemente,como as pálpebras ao chegara noite, ou uma folhaque o vento não arranca, embala. Hoje não é como outras chuvas,hoje chove pela primeira vezsobre o mármore de sua lápide. Sob cada chuvapoderia ser eu quem jaz, agora eu sei,agora que morri em outro. Trad.: Nelson…
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Joan Margarit – A aventura

Quando me ausento por um momento, ao finalizaruma inspeção de obra em algum bairro estranhoe entro para tomar café em um pequeno baronde não me conhecem, penso que soualguém que parte para não mais voltar.Quando me refugio no vaziode um entreato e procuro a escadaque leva aos banheiros,sinto que ali poderia começar minha ausência.Instantes que…
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Jenny Joseph – Advertência

Quando estiver velha, usarei roxoCom um chapéu vermelho que não combina e que não me cai bem.E torrarei minha aposentadoria em conhaques e luvas de verãoe sandálias de cetim, e direi que não temos dinheiro para manteiga.Sentarei na calçada quando me cansarE provarei amostras nas lojas e tocarei as campainhasE correrei minha bengala pelas grades…
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Rui Caeiro – Espero um dia

Espero um dia ter de esperar-te, com a ansiedade dos que perderam tudo ou quase, menos talvez a memória E espero humildemente vir a merece-te, cometer um ato heroico e merecer-te, ser outra e a mesma pessoa – e merecer-te Espero estar bem triste para quando enfim chegares poder dar-te o mais autêntico: a memória,…
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Luis Alberto de Cuenca – Só o silêncio salva

Só o silêncio salva, companheiro. Só o silêncio salva. Se tiveste uma noite gloriosa em que Afrodite sorriu para ti e Baco encheu-te a taça sem cessar, pensa que em breve, quando e noite se for, teus amigos voltarem para casa e começar a amanhecer, só o silêncio te salvará, rapaz. Tem isso em conta.…