Tag: Carpe Diem
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Joan Margarit – Esboço para um Epílogo

Diante de ti sentes um rumor de passosque vem do futuro, essa torredemolida antes de ser construída.Só existe a dúvida moral: ama,não penses na camada de póa que tanto aludes, ostensivamente,quando dizes: “minha vida”.E, do prestígio das negações,desconfia: a vida representanão só a vitória dos anossobre nós. Também nos ensinaquão gloriosa foinossa primeira inicial sobre…
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Israel Zangwill – Um dia, estando entre nós dois o Atlântico…

Um dia, estando entre nós dois o Atlântico, senti a tua mão na minha; Agora, tendo a tua mão na minha, sinto entre nós dois o Atlântico. Trad.: Cecília Meireles
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Paulo Henriques Britto – de “Duas autotraduções”

(CADERNO, XIV)II Isto, também, será lembrado um dia,porém não tal qual é sentido agora.Não que as lembranças sejam distorcidasde propósito; é só porque a memória,entre o vivido e o lembrado, interpõecomo que um filtro, com pequenas falhasou até mesmo substituições –nem tanto por mentiras deslavadas,mas por versões plausíveis do ocorrido.São mudanças sutis, que se desculpam,como…
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Joan Margarit – Amor e tempo

Lembras quando ainda desconheciasque a vida não teria piedade de ti?Amor e tempo: o tempo nos habitacomo a areia do rio que, lentamente,vai moldando a forma da margem.O amor, que refletiu em teu olharo esplendor da ilha do tesouro.Sensual, solitária, cercadapela sonora senectude do mare os gritos militares das gaivotas.O sonho clandestino dos cinquenta anos.…
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Billy Collins – As cadeiras em que ninguém se senta

Vêem-se em varandas e em relvados mesmo à beira do lago, geralmente dispostas em pares indicando que um casal se poderá sentar ali e olhar para a água ou para as grandes árvores frondosas. O problema é que nunca se vê ninguém sentado nessas cadeiras abandonadas embora a dada altura deva ter parecido um bom…
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Paulo Henriques Britto – À margem do Douro

Não espero nada, e já me satisfaçocom a consciência de ainda estar em mime não de volta ao nada de onde vim.Por ora, ao menos, ainda ocupo espaço,junto a uma mesa no Cais da Ribeira;permito-me, sem culpa, desfrutarde pão, e queijo, e vinho, e vista, e ar,todo o entorno da minha cadeira.Que os dias que…
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Juan Luis Panero – Mensagem de Antonio a Cleópatra

Mensagem de Antonio a Cleópatra I Elogiem outros tua adormecida beleza, a suavidade de tua pele em repouso, a medida perfeição de teus membros. Eu não vim para isso, vim somente para te penetrar pela frente e por detrás como um punhal atravessa a água transparente e afunda e se perde no poço sombrio. Mensagem…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-las cedo porque nesse dia chegou também o frio e passamos a manhã falando do tempo. São duas, e me pergunto que destino imprevisto as trouxe a esta árvore precisa, a este lugar exato em que o tempo delas cruza, como um sinal confuso, nosso tempo. De tarde falamos sobre elas: “Esta…
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Ian Hamilton – Pai, Morrendo

Seus dedos, tufos de pelos de cobertor Debaixo das unhas, estendem-se para tocar As rosas ao lado da cama despetalando com o calor. Caem pétalas brancas. Aprisionadas em suas mão Elas escurecem, empapadas em suor, depois enrolam, Desidratam-se e desmoronam. Hora após hora Elas gotejam do ramo. Por fim Ele está limpo e, quando você…
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Francisco Brines – Os Verões

A Carmen Marí Foram longos e ardentes os verões! Ficamos nus juntos ao mar, e o mar ainda mais nu. Com os olhos, e em corpos ágeis, praticamos a mais prazerosa posse do mundo. Soavam para nós as vozes iluminadas de lua, e era a vida abrasadora e violenta, ingratos com o sonho, fluíamos. O…