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Stephen Dunn – Ignorância

O sonho antigo de voar se tornou realidadee eu olho para cima, sem espanto.Por que não cai?Uma pergunta de criança que eu não sei responder.Eu visto minha ignorância naquilo que eu sei.Uma vez houve pterodátilos, eu digo.Uma vez o céu era presságios e pássaros. Ele é imenso e diminuto e tão altoque não emite nem…
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Wislawa Szymborska – A Cada Cem Pessoas

A cada cem pessoas: sabem de tudo e muito melhor do que os outros:– cinquenta e duas. ficam inseguras a cada passo:– quase todas as outras. estão prontas a ajudardesde é claro que isso não lhes tome muito tempo:– quarenta e nove, o que já não é mau. são sempre boas porque incapazes de ser…
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Linda Pastan – Por trás do

“Busco pelo que está por trás das palavras que são ditas…” – William Stafford Por trás do “Eu te amo”reside um “adeus”.Por trás do“adeus”mora um “foi maravilhosoali no gramado, encharcadosde tanto verde,juntos”.Palavras que esperamsão escuras como sombrasnos quartos dos fundos dos espelhos:quando você levantasua mão direitaem saudação,elas levantam a esquerdaem despedida. Trad.: Nelson Santander Mais…
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Gary Snyder – Dezembro em Yase

Naquele Outubroem que escolheu ser livrena grama alta e seca junto ao pomarvocê disse “quem sabe um dia, talvez daqui a dez anos”. Terminada a universidade te visó mais uma vez. Você estava estranha.E eu obcecado com um projeto. Agora se passaram os tais dez anose até mais um pouco: eu sempre soubeonde você estava…
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Pat Boran – Desde que você se foi…

Desde que você se foi… os dias aprenderam um novo idioma,as noites falam em línguas – as vozes da chuva na janela do quarto, do vento sussurrando na rua varrida pela chuva, os canos da casa chamando,tina após tina de água. A perda descobre novas cançõesem antigos instrumentos. Trad.: Nelson Santander Since You Left… the…
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Yehuda Amichai – O Corpo é a Causa do Amor

Primeiro o corpo é a causa do amordepois a fortaleza que o protegepor fim seu cárcere.E quando o corpo morre, o amor jorracaudalosamentecomo de um caça-níqueis clandestino quebradojorram de súbitocom estrondotodas as moedas de geraçõese gerações entregues à própria sorte. Trad.: ? REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 19/02/2017
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Joseph Hillman – Para capturar a mim mesmo

Para capturar a mim mesmoeu devo cavar um buraco Perfurar a película quesepara a vida da morteCom pá, pá de corteou mãos afiadas Fazer a terra desabrocharEm uma floração de preto e ocre Permitir que os muros se ergamao meu redor comodesmoronadoscortinadosengolindo-me inteiroenquantovou maisfundo Mais fundonaquele buraco Tão fundo quenão posso sairnovamentee tenho queviver oresto…
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Wislawa Szymborska – Retornos

Voltou. Não disse nada.Mas estava claro que teve algum desgosto.Deitou-se vestido.Cobriu a cabeça com o cobertor.Encolheu as pernas.Tem uns quarenta anos, mas não agora.Existe – mas só como na barriga da mãena escuridão protetora, debaixo de sete peles.Amanhã fará uma palestra sobre a homeostasena cosmonáutica metagaláctica.Por ora dorme, todo enrodilhado. Trad.: Regina Przybycien REPUBLICAÇÃO: poema…
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Mary Oliver – Pesado

Naquela vezpensei que não poderiachegar mais perto do lutosem morrer cheguei mais perto,e não morri.Certamente Deusteve sua mão nisso, e também os amigos.Ainda assim, eu estava curvada,e meu riso,como disse o poeta, não estava em lugar nenhum.Então meu amigo Daniel disse(valente mesmo entre os leões):“Não é o peso que você carrega mas como você o…
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John Keats – Ode sobre a Indolência

I Numa certa manhã eu vi as três as figuras, Curvadas, de perfil, mãos juntas, uma a uma,Seguindo atrás da outra, mudas e seguras, Sandálias suaves, vestes alvas, pés de pluma;Como formas de mármore em alto-relevo Sobre uma urna, foram-se, ao girar a face Do vaso; mas voltando ao ângulo anterior,Mostraram-se mais uma vez como…