Categoria: Poema
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Joan Margarit – De repente está claro

De repente está claro. O amor é a vitória que irá me destruir. Como me gangrena o coração a solidão, como me destroça nas janelas do crepúsculo a hiena desolada e exangue. Na era rubra só o amor nos livra da gélida gruta do tempo. Conheci a glória de estar desesperado e a miséria do…
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Manuel António Pina – As escadas

Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas em direção à tua escuridão, deixando-me, ou a alguma coisa menos tangível, no seu lugar. Também elas envelheceram, as escadas, também, como eu, desabitadas. Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus, e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras.
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Francisco Brines – Deitado

Chove, e amo. Pulsam, em alongada sombra, duas sombras vivas, sondam o nada, e nele se alimentam. São farrapos de luz, e à sua luz se veem olhos, músculos, cabelos, enquanto a sombra se extingue em mais sombra, e o repouso nos lençóis das fúrias do corpo é a gratidão de quem há de morrer,…
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Jaime Gil de Biedma – Valsa de Aniversário

Não há nada tão doce como um quarto para dois (quando já não nos amamos tanto) fora da cidade, em um hotel tranquilo, e casais duvidosos e alguma criança com caxumba, não fosse esta ligeira sensação de irrealidade. Algo como o verão na casa de meus pais, há tempos, como viajar de trem à noite.…
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Vasco Miranda – de “Invenção da Manhã”

20 Olha Jorge quando vier a morte E virá cedo “Não deixes fechar-me os olhos” Eflorescências salitrosas me rebentarão das órbitas Para queimar as mãos que fechar-mos queiram – Não pode a luz negar-se a quem bêbado dela Inventou em cada dia uma madrugada E eis tudo quanto deixo a quem me herde Não Jorge…
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Joseph Stroud – A mais difícil tradução do amor

“A mais difícil tradução do amor”, um poema de Joseph Stroud que compara o matrimônio a um filme estrangeiro, revelando com humor a ilusão momentânea de compreender plenamente o outro.
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José Agostinho Baptista – É a prata da minha amada

“É a prata da minha amada”, um poema de José Agostinho Baptista que encena uma despedida crepuscular onde amor e morte se entrelaçam num silêncio maior que o mar.
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José Paulo Paes – Elogio da Memória

O funil da ampulhetaapressa, retardando-a,a quedada areia. Nisso imita o jogomanhosode certos momentosque se vão emboraquando mais queríamosque ficassem. Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog
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Ruy Belo – Missa de aniversário

Há um ano que os teus gestos andam ausentes da nossa freguesia Tu que eras destes campos onde de novo a seara amadurece donde és hoje? Que nome novo tens? Haverá mais singular fim de semana do que um sábado assim que nunca mais tem fim? Que ocupação é agora a tua que tens todo…
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Luis Cernuda – Os espinhos

Possuem já os espinhos verdor novo na colina, toda de púrpura e neve pelo ar estremecida. Quantos céus em flor já viste? Embora ao encontro eles serão sempre devotados, tu não o serás um dia. Antes que a penumbra caia, sabe o que a alegria é junto aos espinhos vermelhos e alvos em flor. Olha.…