Categoria: Poema
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Carlos Drummond de Andrade – Destruição

Os amantes se amam cruelmentee com se amarem tanto não se vêem.Um se beija no outro, refletido.Dois amantes que são? Dois inimigos. Amantes são meninos estragadospelo mimo de amar: e não percebemquanto se pulverizam no enlaçar-se,e como o que era mundo volve a nada. Nada, ninguém. Amor, puro fantasmaque os passeia de leve, assim a…
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Antonio Cicero – Huis Clos

Da vida não se sai pela porta: só pela janela. Não se sai bem da vida como não se sai bem de paixões jogatinas drogas. E é porque sabemos disso e não por temer viver depois da morte em plagas de Dante Goya ou Bosh (essas, doce príncipe, cá estão) que tão raramente nos matamos…
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Antonio Cicero – História

A história, que vem a ser? mera lembrança esgarçada algo entre ser e não-ser: noite névoa nuvem nada. Entre as palavras que a gravam e os desacertos dos homens tudo o que há no mundo some: Babilônia Tebas Acra. Que o mais impecável verso breve afunda feito o resto (embora mais lentamente que o bronze,…
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Antonio Cicero – Nênia

A morte nada foi para ele, pois enquanto vivia não havia a morte e, agora que há, ele já não vive. Não temer a morte tornava-lhe a vida mais leve e o dispensava de desejar a imortalidade em vão. Sua vida era infinita, não porque se estendesse indefinidamente no tempo mas porque, como um campo visual, não tinha limite.…
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Carlos Pena Filho – A Solidão e sua Porta

Quando mais nada resistir que valhaa pena de viver e a dor de amare quando nada mais interessar,(nem o torpor do sono que se espalha). Quando pelo desuso da navalhaa barba livremente caminhare até Deus em silêncio se afastardeixando-te sozinho na batalha a arquitetar na sombra a despedidado mundo que te foi contraditório,lembra-te que afinal…
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Emily Dickinson – Cemitério

Este pó foram damas, cavalheiros, Rapazes e meninas; Foi riso, foi espírito e suspiro, Vestidos, tranças finas. Este lugar foram jardins que abelhas E flores alegraram. Findo o verão, findava o seu destino… E como estes, passaram. Trad.: Manuel Bandeira
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Robinson Jeffers – The Inhumanist (Parte II de “The Double Axe”) (excerto)

Chegará um tempo, sem dúvida,Em que também o sol morrerá; os planetas congelarãoe o ar sobre eles; gases congelados, com flocos de arSerão a poeira: que nenhum vento jamais bulirá:essa poeira mesma a cintilar à luz baixa dos astrosÉ o vento morto, o corpo branco do vento. Também a galáxia morrerá; o brilho da Via…
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Rainer Maria Rilke – A Pantera (em 3 traduções)

A PANTERA – trad. Augusto de Campos (No Jardin des Plantes, Paris) De tanto olhar as grades seu olharesmoreceu e nada mais aferra.Como se houvesse só grades na terra:grades, apenas grades para olhar. A onda andante e flexível do seu vultoem círculos concêntricos decresce,dança de força em torno a um ponto ocultono qual um grande…

