Categoria: Poema
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Jules Laforgue – Penúltima palavra

O Espaço? – A vida Ida Sem traço. O amor? – Seu preço: Desprezo E dor. O sonho? – Infindo, É lindo (Suponho). Que vou Fazer Do ser Que sou? Isto, Aquilo, Aqui, Ali. Trad.: Augusto de Campos Avant-dernier mot L’Espace? – Mon Coeur Y meurt Sans traces… La Femme? – J’en sors, La…
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Tristan Corbière – Epitáfio

Epitáfio Salvo os amorosos principiantes ou findos que querem principiar pelo fim há tantas coisas que findam pelo princípio que o princípio principia a findar por estar no fim o fim disso é que os amorosos e outros findarão por principiar a reprincipiar por esse princípio que terá findo por não ser mais que o…
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Ivan Junqueira – O tempo que me resta

Qual o tempo que me resta? Poderei medi-lo em pétalas de alguma flor que fenece, a última da sua espécie? Poderei fazê-lo em décimos de um segundo que parece durar mais do que uma década ou quem sabe todo um século? O que é o tempo? Uma névoa que na ampulheta escorrega, ou algo que…
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Jack Kerouac – Richmond Hill Tree Poem

Amontoadas, amarelas folhas de novembro De uma distinta árvore nua e envergonhadamente castrada fazem um minúsculo e manso PLICK ao se roçar umas nas outras preparando-se para morrer – Quando vejo uma folha cair Eu sempre digo adeus. Richmond Hill Tree Poem A cluster of yellow November leaves in an otherwise bare and sheepish castrated…
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Amalia Bautista – S.O.S.

Protege-me do medo e das sombrasdefende-me de todas as tristezas,exila de minha vida o desconsolo,se puderes, com teu amor, se nãocom o fim do mundo ou com a minha morte. Trad.: Nelson Santander S.O.S Protégeme del miedo y de las sombras,defiéndeme de todas las tristezas,destierra de mi vida el desconsuelo.si puedes, con tu amor, y…
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Eugénia de Vasconcellos – Lembra

Digo-te isto para que saibas quem és, às vezes, esquecemos, confundimos, desconseguimos e ao fim, desacreditamos, colam-se-nos os fantasmas dos vivos e as memórias dos mortos e da voz faz-se um fio à míngua de palavras – e onde a palavra não chega, o pensamento não cria o ato e morre-se, morre-se, morre-se um dia…
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Tarso de Melo – Hoje

Amanhã vai chover mais forte, todos nós já sabemos. E é estranha a calma dos rios Os guarda-chuvas seguem fechados, os meteorologistas fingem não ter nada com isso, o barro não demonstra qualquer apreensão, o vento lambe as roupas secas no varal, nenhuma janela ainda se fechou. A água vai vir, forte, como sempre, engolindo…
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Danusha Laméris – Pequenas Gentilezas

Estive pensando na maneira como, quando você caminhapor um corredor lotado, as pessoas recolhem suas pernaspara deixar você passar. Ou como estranhos ainda dizem “Deus te abençoe”quando alguém espirra, um resquícioda Peste Bubônica. “Não morra”, estamos dizendo.E das vezes que, ao derrubar limõesde sua sacola de compras, outra pessoa o ajudaa recolhê-los. Na maioria das…
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Leila Guenther – Amuleto

nem trevo de quatro folhas foto de filho, mãe ou marido medalhinha da Virgem lentilha do ano novo passado bilhete de loteria moeda furada origami de pássaro cordão umbilical oração da prosperidade mensagem de biscoito chinês pirâmide de cristal fitinha do senhor do Bonfim folha de arruda caroço de romã olho grego sachê de sal…
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Joan Brossa – O tempo

Este verso é o presente. O verso que você leu é o passado – já envelheceu depois da leitura. O que resta do poema é o futuro, que existe fora da sua percepção. As palavras estão aqui, se você as leu ou não. E todo o poder terrestre não pode mudar isso. Trad.: Guilherme Gontijo…