Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Hayden Carruth – Ensaio

Tantos poemas sobre mortes de animais.O sapo de Wilbur, o ouriço de Kinnell, o esquilo de Eberhart,e aquele poema de alguém – Hecht? Merrill? –sobre cremar uma marmota. Mas sobretudoeu me lembro do número ultrajante deles,como se todo poeta, inclusive eu, tivesse escrito ao menosuma elegia animal; como resultado, hoje, quando cheguei a um poema…
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W. S. Merwin – Para o aniversário da minha morte

Todo ano, sem perceber, passo pelo diaEm que as últimas chamas acenarão para mimE o silêncio colocar-se-á a caminhoInfatigável viajanteComo os feixes de uma estrela sem luz Então, não me encontrareiNa vida como em um estranho trajeSurpreso com a terraE o amor de uma mulherE a desfaçatez dos homensComo hoje escrevendo após três dias de…
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Gwen Harwood – No parque

Ela se senta no parque. São antiquados os seus trajes.Duas crianças choram e brigam, puxam-lhe o babado.Uma outra traça padrões ao acaso no gramadoAlguém que há muito tempo ela amou passa – tarde demais para fingir desdém ao aceno casual.“Que prazer” blá blá blá. “O tempo sempre nos surpreende.”Da cabeça perfeita dele claramente ascendeum pequeno…
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Mary Oliver – Não hesite

Se você, súbita e inesperadamente, sentir alegria,não hesite. Entregue-se a ela. Há muitasvidas e cidades inteiras destruídas ou prestes a sê-lo.Não somos sábios, e raramente bondosos.E muito nunca poderá ser redimido.Ainda assim, resta à vida alguma possibilidade. Talvez essa seja sua maneira de reagir: às vezes acontecealgo melhor que todas as riquezas ou o poderdo…
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Joan Margarit – Não estava distante, não era difícil

Chegou um tempoem que a vida que se perde já não causa dor,em que a luxúria é apenasuma lâmpada inútil, e a inveja é esquecida.É um tempo de perdas prudentes, necessárias,e não é um tempo de chegarmas de partir. O amor, agora,por fim se une à inteligência.Não estava distante,não era difícil. É um tempoque não…
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Juan Vicente Piqueras – O pouco que sei

Sei que o penar não vale a pena. Sei que a felicidade é indizível. Sei que o amor, essa missão selvagem,delicada, impossível, é a única formade estar neste mundo sem errar. Sei que a morte resolve tudo.Sei que a morte, não, quero dizer, a vidaé um pintassilgo em uma árvore secaou em uma amendoeira em…
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Jane Draycott – A praça

Do outro lado da praça, uma mulher olha para mimde uma janela, a sombra do quarto em que ela estápressionando-a como uma pétala em direção à luz. Ela é linda em seu vestido de linho sem mangas,uma vela impassível na vasta vidraça escura,como minha mãe em um tempo antes de eu a conhecer. Entre nós,…
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Joan Margarit – Discurso do Método

Já de criança buscava as janelaspara pode fugir com o olhar.Desde então, se entro em um lugar,olho com atenção onde deixo meu casacoe onde está a porta de saída.Liberdade, para mim, significa fuga.Há muitas portas no mundo.Inclusive o sexo, em caso de emergência,pode sê-lo, embora todas vão se fechandoe, para fugir, rapidamente fiquemapenas as janelas…
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Albert Katz – Ao chegar aos 70

Leia “Ao chegar aos 70”, de Albert Katz, um poema espirituoso e comovente sobre envelhecimento, memória e reinvenção pessoal.
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Idea Vilariño – Ou quem sabe nove

Talvez tenhamos tido só sete noitesnão seinão as conteicomo poderia.Talvez não mais que seisou quem sabe nove.Não seimas valeramcomo o amor mais duradouro.Talvezcom quatro ou cinco noites como essasmas precisamente como essastalvezse possa vivercomo de um longo amoruma vida inteira. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com pequenas alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em…