Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Jane Hirshfield – Meu esqueleto

Meu esqueleto, que um dia doeu com o próprio crescimento, está agora, a cada ano imperceptivelmente menor, mais leve, absorvido por sua própria concentração. Quando eu dancei, você dançou. Quando você quebrou, eu. E assim foi, deitando, caminhando, subindo os fatigantes degraus. Seus maxilares. Meu pão. Algum dia você, o que resta de você, será…
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Louise Glück – Nostos

Havia uma macieira no quintal —isso deve ter sidohá quarenta anos — ao fundo,apenas prados. Manchasde crocus na relva úmidaEu estava àquela janela:fim de abril. Floresda primavera no quintal do vizinho.Quantas vezes, de fato, a árvorefloresceu no meu aniversário,no dia exato, não antes,não depois? Substituiçãodo cambiante,do que evolui.Substituição terrainexorável pela imagem. O quesei eu deste…
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Denise Levertov – Naquele dia

Do outro lado de um lago na Suíça, cinquenta anos atrás, a luz duelava com uma longa lança, esgrimindo com sabres de um lado para o outro entre picos nublados e colinas. Observávamos de um pequeno pavilhão, minha mãe e eu, fascinadas. E então, eis que um feixe, uma coluna, um corpo definido, não de…
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Richard Eberhart – A marmota

Em junho, entre os campos dourados,Avistei uma marmota morta.Morta jazia; meus sentidos estremeceram,E a mente disparou para além de nossa fragilidade nua.Ali, humilde, no vigoroso verão,Sua forma iniciou sua mudança sem sentido,E meus sentidos vacilarem, turvos,Ao ver dela a natureza feroz.Inspecionando de perto a força de suas larvasE o caldeirão fervilhante do seu ser,Meio com…
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Jane Hirshfield – Dentro desta árvore

Dentro desta árvore outra árvore habita o mesmo tronco; dentro desta pedra outra pedra descansa, com muitos tons de cinza iguais, com superfície e peso idênticos. E dentro do meu corpo, outro corpo, cuja história, à espera, canta; não há outro corpo, ela canta, não há outro mundo. Trad.: Nelson Santander Within this tree Within…
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Alberto Szpunberg – De “Sol de noche”

XIV Embora já saibas que nada volta, volta para casa, aceita a pequena mentira como um lapso antes que o inverno te surpreenda sob uma árvore de ramos despojados: aqui termina o bosque, o que cresceu em teus sonhos antes mesmo de tuas mãos roçarem os troncos: a pradaria que se estende perante teus olhos…
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Marie Howe – Meus amigos mortos

Comecei, quando estou cansada e não consigo me decidir por uma resposta a uma pergunta desconcertante, a pedir a opinião dos meus amigos mortose muitas vezes a resposta é imediata e clara. Devo aceitar o emprego? Mudar para a cidade? Devo tentar conceber um filhona minha meia-idade? Eles estão de pé, em uníssono, balançando a…
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Robert Bly – Pessoas como nós

Pessoas como nós para James Wright Há mais como nós. Em toda parte Há pessoas confusas, que não conseguem lembrar O nome do próprio cão quando acordam, e pessoas Que amam a Deus mas não se lembram onde Ele estava quando foram dormir. Não Tem problema. O mundo se purifica desta forma. Um número errado…
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Juan Vicente Piqueras – Taças de sede

Se duvidas de tua sede, se não te atreves a questiona-la ou a dar-lhe um nome, se só sabes que buscas uma água que a sacie e não achas senão poços, e neles ecos que te chamam, bebe. Se ao beber a sede desaparece é que era só sede. Segue buscando. Mas se cresce em…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Canção de fevereiro

Canção de fevereiro no peito do céu, palpitando Jaime Gil de Biedma Leve e triste, a tarde se retira contigo até o crepúsculo e as horas começam a doer nas dobras distantes do lençol. Subitamente a noite regressou e é difícil não pensar em teus efêmeros lábios ou nas altas regiões do teu corpo glorificando…