Quem fez o mundo?
Quem fez o cisne e o urso-negro?
Quem fez o gafanhoto?
Digo, este gafanhoto –
aquele que se lançou para fora da grama,
aquele que come açúcar na minha mão,
que move as mandíbulas para frente e para trás, não de cima para baixo –
que olha ao redor com seus olhos enormes e complexos.
Agora ele ergue os pálidos antebraços e lava bem a cara.
Agora ele abre as asas de súbito e se afasta flutuando.
Eu não sei ao certo o que é uma oração.
Eu sei, sim, como prestar atenção, como me deixar cair
na grama, como me ajoelhar na grama,
como ser ociosa e abençoada, como passear pelos campos,
que é o que tenho feito o dia todo.
Diga-me, o que mais eu deveria ter feito?
Não morre tudo, afinal, e cedo demais?
Diga-me, o que você planeja fazer
Com sua única, selvagem e preciosa vida?
Trad.: Nelson Santander
The Summer Day
Who made the world?
Who made the swan, and the black bear?
Who made the grasshopper?
This grasshopper, I mean –
the one who has flung herself out of the grass,
the one who is eating sugar out of my hand,
who is moving her jaws back and forth instead of up and down –
who is gazing around with her enormous and complicated eyes.
Now she lifts her pale forearms and thoroughly washes her face.
Now she snaps her wings open, and floats away.
I don’t know exactly what a prayer is.
I do know how to pay attention, how to fall down
into the grass, how to kneel in the grass,
how to be idle and blessed, how to stroll through the fields
which is what I have been doing all day.
Tell me, what else should I have done?
Doesn’t everything die at last, and too soon?
Tell me, what is it you plan to do
With your one wild and precious life?

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