Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Connie Wanek – Depois de nós

Depois de nós Não sei se estamos no início ou na fase final. Tomas Tranströmer A chuva está caindo através do telhado. E tudo o que prosperou debaixo do sol, os livros que se abriram de manhã e se fecharam à noite, e o dia inteiro viraram suas páginas para a luz; os esboços de…
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Jane Kenyon – A tigela azul

Como primitivos, enterramos o gato com seu prato. Com as mãos nuas raspamos areia e cascalho de volta para o buraco. Caíram com um silvo e um baque ao lado dele, em seu longo pelo vermelho, o branco pelame entre seus dedos, e seu longo, para não dizer aquilino, nariz. Nós nos levantamos e nos…
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Forrest Hamer – Lição

Era verão, 1963 ou 64,e meu pai levava nossa família de carrode Fort Hood para a Carolina do Norte em nosso Buick 56.Vínhamos ouvindo falar de ataques da Klan, e sabíamos que o Mississippi estava mais perigoso do que o habitual.A escuridão pendia das arvores como o musgo,e quando ela gemia de leve contra os…
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Brian Turner – Quão brilhante é

Abril. E o ar secoComo as espáduas de um búfalo-d’água. Gafanhotos arranham a terra,esfregam as asas com pernas finas,irrompendo à frente dos soldadosem voos rasantes em arco, as asas um borrão. Os soldados já não percebem,veem apenas os escombros das ruas,corpos cobertos por lençóis, e o sol,quão brilhante é, quão duro e plano e branco.…
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David Ignatow – Para a minha filha

Quando eu morrer, escolhe uma estrelae dá-lhe o meu nomepara que saibas quenão te abandoneinem te esqueci.Foste para mim uma estrela,guiando-me pelo teu nascimentoe infância, minha mãona tua mão. Quando eu morrer,escolhe uma estrela e dá-lheo meu nome para que eu possa brilharsobre ti, até que te juntes a mimna escuridão e no silênciojuntos. Trad.:…
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Robinson Jeffers – Falcão ferido

Falcão Ferido I O pilar quebrado da asa se projeta da espádua coagulada,A asa arrasta-se como um estandarte no fracasso,Não mais para usar o céu, apenas para viver com fomeE dor por uns poucos dias: nem gato nem coioteAbreviarão a semana de espera pela morte: há caça sem garras.Ele permanece sob o carvalho e esperaOs…
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Joan Margarit – A combinação

Sozinha entre dois infernos— o da liberdade e o da idade —,já não consigo abrir nosso cofre.A porta com seus números giratóriosé a roleta em que já não aposto.Desde o primeiro suspiro conserveia blindada clarezadaquela rosa.Agora, nua em nosso quarto,a janela aberta e a luz apagada,ouço o rumor urbano da noite,enquanto a leve brisa me…
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Mary Oliver – O dia de verão

Quem fez o mundo?Quem fez o cisne e o urso-negro?Quem fez o gafanhoto?Digo, este gafanhoto –aquele que se lançou para fora da grama,aquele que come açúcar na minha mão,que move as mandíbulas para frente e para trás, não de cima para baixo –que olha ao redor com seus olhos enormes e complexos.Agora ele ergue os…
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Raúl Ferruz – Com os olhos bem abertos

Quando meu avô sorria depois de cada gole de água,isso significava. Não sabes o que é beber o próprio mijo.Quando desenhava uma parábola no ar que só ele via,isso significava. Fogo cruzado.Quando tapava o rosto para que não o víssemos chorar,isso significava. Os alemães nos infligiram horrores.Quando fechava a porta do banheiro para que não…
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Anne Sexton – A noite estrelada

A noite estrelada Isso não me impede de ter uma terrível necessidade de — devo dizer a palavra — religião. Então, saio à noite para pintar as estrelas. – Vincent Van Gogh, em uma carta ao seu irmão A cidade não existe,exceto onde uma árvore de cabelos negros deslizacomo uma mulher afogada no ar abrasador.A…