Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Robyn Sarah – Ao fechar o apartamento dos meus avós de abençoada memória

E então eu me vi naquela sala pela vez final.Mantive-me firme, com a chave em minha mão,e ouvi o silêncio que era como um som,e percebi como o longo sol da tarde invernalbaixava de maneira oblíqua ao chão fazendo florir os veios do assoalho. (Tudo o que eles um diapossuíram estava guardado aqui.) Na janela…
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William Ernest Henley – Invictus

No meio da noite que me abraça,Negra como um Poço em sua inteireza,Agradeço a cada Deus pela graçaDe minha invencível natureza. Nas terríveis garras das circunstânciasNão recuei nem alteei meu pranto.Debaixo dos golpes das contingênciasMinha fronte sangra – altiva, no entanto. Além deste lugar de desenganos,Somente o Horror das sombras desponta,E entretanto a ameaça dos…
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Lisel Mueller – De passagem

A rapidez com que o mel filtradoda luz da tardeflui para a escuridão e o fechado broto livra-sede seu singular mistérioa fim de desabrochar: como se o que existe, existapara poder perder-see tornar-se precioso. Trad.: Nelson Santander In Passing How swiftly the strained honeyof afternoon lightflows into darkness and the closed bud shrugs offits special…
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Jane Hirshfield – Um dia é vasto

Um dia é vasto.Até o meio-dia.Depois acaba.A água da lagoa de ontem, entrelaçada,ainda está molhada em meus cabelos.Eu não sei o que é o tempo.Você nunca pode encontra-lo.Mas você pode perde-lo. Trad.: Nelson Santander A Day Is VastA day is vast.Until noon.Then it’s over.Yesterday’s pondwaterbraided still wet in my hair.I don’t know what time is.You…
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Mary Oliver – Primavera

Em algum lugar,uma ursa-negraacaba de despertare lança seu olhar para baixo na montanha.A noite toda,na inquietude vivaz e superficialdo início da primavera, eu penso nela,suas quatro patas pretasesparramando o cascalho,sua língua como uma chama rubratocando a relva,a água fria.Só há uma questão: como amar este mundo?Eu penso nelaerguendo-secomo um rochedo negro e musgoso para afiar…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – As flores do mall

As jovens deusas, noturnasaparições (roupas escuras,prata queimando seus umbigos)na cadência da pista,começam a desbotarcom a premência dos anos,os problemas, talvez os filhosque ainda não têm. Olhamagora para os teus olhos com clarodesprezo (já tens quarenta)e pensas em certas palavrasde Baudelaire que lhes dariascomo se fossem teus frutos(se ao menos se aproximassem), sesoubessem quem foi o…
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Henry Wadsworth Longfellow – A reunião

Depois de uma longa ausência Nos vemos de novo, afinal:O encontro nos dá prazer, Ou, ao contrário, aflição?A Árvore foi chacoalhada, E poucos de nós perduramos,Como os tais frutos do profeta, No topo mais alto dos ramos.Saudamos-nos cordialmente No velho tom familiar;E pensamos, mas só conosco, Quão velho e grisalho ele está!Falamos de um bom…
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Charles Simic – Medo

O medo passa de homem para homemInconscientemente,Como uma folha passa o seu estremecimentoPara outra. De repente, a árvore toda está tremendo,E não há nenhum sinal do vento. Trad.: Nelson Santander Fear Fear passes from man to manUnknowing,As one leaf passes its shudderTo another. All at once the whole tree is trembling,And there is no sign…
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Linda Pastan – As Íris de Monet

Estas floresse sonharamde volta à cor pura –os verdesda água indivisa,os verdesinformes do pradoassim como Deus disse:Que hajaÍris. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog Monet’s Irises These flowershave dreamed themselvesback into pure color—the greensof undivided water,the formlessgreens of meadowjust…
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Danusha Laméris – Vestindo-se para o enterro

Ninguém fala sobre a hilaridade após a morte —a forma como na semana em que o meu irmão se matoua esposa dele e eu caímos na cama gargalhandoporque ela não conseguia decidir sobre o que vestir para o grande dia,e me perguntou, “Eu quero ser sexy ou Amish?” Eu respondi: sexy.E nós rolamos sobre o…