Tag: vanitas
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Amalia Bautista – O que fazes aqui

Leia “O que fazes aqui”, de Amalia Bautista, um poema poderoso sobre tristeza, memória emocional e a difícil convivência com aquilo que não conseguimos esquecer.
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Li-Young Lee – Das flores

Das flores vemeste saco de papel pardo com os pêssegosque compramos do meninona curva da estrada onde dobramos em direção às placas escritas Pêssegos. Dos galhos carregados, das mãos,da doce comunhão nas latas,vem o néctar da beira da estrada, suculentospêssegos que devoramos, com a pele empoeirada e tudo,vem o pó familiar do verão, pó que…
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Hart Crane – Louvor a uma urna

Louvor a uma urna In Memoriam: Ernest Nelson Era do norte o rosto ternoDe falso exilado, juntandoDe Pierrô o olhar eternoE a gargalhada de Gargantua. Os sonhos que me confiavaDo travesseiro branco, insone,Agora eu sei, eram heranças –Corcéis suaves do ciclone. No monte oblíquo a lua oblíquaNos deu presságios indistintosDo que ainda vivo o morto…
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Alison C. Rollins – Para quem me lê agora

Para quem me lê agora depois de Jorge Luis Borges Você é invulnerável.A única constante é a mudança.Tal repetição leva à nostalgiado presente. Tenso e tímidovocê recita este livro de cor. Àscegas, você me confia à memória.O calvo e impertinente filósofosabe que o caráter do homem é o seu destino.Este poema – não vivo, mas…
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Annie Dillard – Como consumimos nossos dias

Como consumimos nossos diasé, evidentemente,como consumimos nossas vidas. O que fazemos com esta hora,e com aquela,é aquilo que fazemos. Um calendárioprotege do caos e do arbítrio. É uma redepara capturar dias.É um andaime sobre o qual um trabalhadorpode ficar em pée laborar com ambas as mãos em espaços de tempo.Um calendário é uma maqueteda razão…
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Abdellatif Laâbi – Por que esta folha?

Por que esta folha?Salvo por um detalhe,o mundo não mudouem tão pouco tempoSalvo por um detalheesta manhã é uma réplicacinzentada anteriorSalvo por um detalheo peso esmagador do peitonão se reduziu nem um gramaSalvo por um detalhesentimo-nos ainda vivosum pouco maisum pouco menosO mesmo equilíbriofrágil ou nãoSalvo por um detalheo de uma pergunta desconcertante:Por que esta…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Carta aos Mortos

Carta aos Mortos, um poema de Affonso Romano de Sant’Anna, reflete sobre a aparente marcha do progresso e as surpreendentes permanências da experiência humana.
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Eiléan Ní Chuilleanáin – A torre da dama

Vazia, minha alta torre inclina-se Para trás no penhasco; meu colmo Conversa com a amplidão dispersa, Garças. A parede cinza Corta para baixo e encontra Um instável córrego inundado Por seixos, pequenas aves Mergulhadoras. Lá embaixo, meus porões sondam. Atrás de mim, as oblíquas veias da colina Se deslocam; úmida está minha cozinha, Aranhas escondidas…
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Linda Pastan – Estou aprendendo a abandonar este mundo

Estou aprendendo a abandonar este mundoantes que ele possa me abandonar.Já renunciei à luae à neve, fechando minhas persianascontra as reivindicações do branco.E o mundo levoumeu pai, meus amigos.Abandonei as linhas melódicas das colinas,mudando para uma paisagem plana, dissonante.E toda noite abandono meu corpo,membro por membro, seguindoatravés dos ossos, em direção ao coração.Mas a manhã…
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Ada Limón – Estrelas extintas

Aqui fora, até as árvores se curvam. A mão gelada do inverno nas costas de todos nós.Casca escura, folhas amarelas escorregadias, uma espécie de quietudetão silenciosa que parece pertencer a outra era.Ultimamente, sou uma morada de aranhas: um ninho de tentativas.Apontamos para as estrelas que compõem Órion enquanto levamos o lixo pra fora, os contêineres…