Tag: vanitas
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Robinson Jeffers – Oh, adorável rocha

Passamos a noite no inexplorado desfiladeiro do Ventana Creek, no braço leste.Os paredões rochosos e os cumes das montanhas se estendiam em camadas de florestas acima de nós, bordo e sequoia,Loureiro, carvalho, madrona, até os altos e esbeltos abetos de Santa Lucian que contemplam as cataratasDe rochas escorregadias até os precipícios da cor das estrelas.…
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Laura Gilpin – Vida após a morte

O que eu sei:como os vivos seguem vivendoe como os mortos seguem vivendo com eles Assim, em uma floresta,mesmo uma árvore morta projeta uma sombrae as folhas caem uma a umae os galhos se partem com o ventoe a casca se desprende lentamentee o tronco se rachae a chuva se infiltra através das rachadurase o…
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Matthew Rohrer – Não há absolutamente nada mais solitário

Não há absolutamente nada mais solitáriodo que o pequeno Mars Rover,sempre em funcionamento, escavandorochas, tão longe da Bond streetsob a chuva suave. Será queele emite pequenos bipes? Se sim,ele é ainda mais solitário. Ele dispara laserna poeira. Ele engasga. Algo brilhante na areia revela-se ser dele. Trad.: Nelson Santander There Is Absolutely Nothing Lonelier There…
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Alfonsina Storni – Leva-me

Quero esquecer que vivo: leva-me a algum lugar;Ata-me a tua alma; a alva a brilhar. Colhe-me entre tuas mãos como em um branco casuloE mostra-me aos deuses com glória e com orgulho. Leva-me! É uma noite muito escura e sombria!…A morte caça pelo mundo tal qual harpia. Faz-me esquecer o peso que carrego nos ombrosEssa…
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Chico Amaral e Samuel Rosa – As Noites
As ruas desse lugarConhecem bemAs noites longas, as noites pálidasQuando eu te procurava As casas desse lugarSe lembrarãoDo nosso abraço, da sombra insólitaEspelho azul no chão As ruas desse lugarAgora eu seiSempre escutaram a nossa músicaQuando eu te respirava As pedras municipaisSe impregnaramDa dupla imagem, da dupla solidão,A sombra ali no chão E, lá no…
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Joan Margarit – Ulisses nas águas de Ítaca

Estás chegando à ilha e agora sabeso que é o acaso. Viver, o que significa.Teu arco será pó em uma prateleira.Pó será o tear e a peça que ele tece.Os pretendentes, que no pátioacamparam,são sombras dos sonhos de Penélope.Estás chegando à ilha enquanto o mararrebenta nas rochas da costa,como faz o tempo com a Odisseia.Ninguém…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdicestua solidão, dedicando-a a uma absurdabusca do nada, nem te persigasobsessivamente por escuros corredores.Assustado pela luz dos preceitos.Sai sob o sol pleno e observaas coisas difíceis.Considera que o jogo desmedido das palavrasnão te servirá de nada se não te apoiaresnaquilo que te rodeia. Há as pedrase as árvores e as pessoas e…
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Richard Siken – Mundo visível

A luz do sol derramando-se sobre a sua pele, sua sombra plana na parede. O amanhecer partia os ossos do seu coração como gravetos. Você não esperava por isso, o quarto se tornando branco, a luz astronômica golpeando-o em uma torrente de punhos. Você levou a mão ao rosto como se para escondê-lo, os dedos…
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Leah Silvieus – Espécies invasoras

Algo terrível aconteceu hoje, eu digoe meu marido corre até mim procurando por sinais de ferimentos. Não quero contar-lhe o resto:de como encontrei uma rã-arborícola na canaleta do vidro da portado nosso carro, olhando para cima com o que eu então imagineiser um olhar de esperança, como a persuadi a entrar em um saco de…
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Jane Draycott – A praça

Do outro lado da praça, uma mulher olha para mimde uma janela, a sombra do quarto em que ela estápressionando-a como uma pétala em direção à luz. Ela é linda em seu vestido de linho sem mangas,uma vela impassível na vasta vidraça escura,como minha mãe em um tempo antes de eu a conhecer. Entre nós,…