Tag: ubi sunt
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Ricardo Silvestrin – Sacos

Estamos repletos de inutilidades,suas, minhas,inutilidades de família,de valor inestimável. Quinquilharias, ninharias,boiando no pó, atiradas em caixas,envelopes rasgados, gavetas. Ninguém se arrisca a botar foraesses tesouros de um reino perdidoentre os guardados. Em quantos sacos de lixo,sacos grandes de cem litros,vai caber todo o passado? Adquira outras obras de Ricardo Silvestrin clicando aqui
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Pattiann Rogers – Perspectiva de alcance

Lá em cima, longe desta estrada,Longe das partículas de geadaQue revestem a casca de cada gravanço,E do rijo inseto arqueiro em seu avançoNa escuridão da manhã, pata farpada por pata farpada,Subindo pela haste do trillium,Diretamente ao longo do céu sobre esta estrada agora,As galáxias do aglomerado de Cygnus AEstão colidindo umas com as outras em…
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Louis Jenkins – O casal

Eles já não dormem tão bem comoquando eram jovens. Ele fica desperto pensandoem coisas que aconteceram anos atrás, virandodesconfortavelmente de vez em quando, puxando ocobertor. Ela se preocupa com dinheiro. Primeiro ume depois o outro ficam ambos acordados durante a noite,em turnos como se estivessem de guarda, embora não consigamver muito no escuro e esteja…
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Joan Margarit – Separado

A casa se abre para uma calçadaonde não me espera ninguém.Aqui sem ti. Um estranho.Foi aqui que eu me perdi.Caminho sem mim, contigo.Minha sombra é apenas um erro,vem dos lugares mais gélidos:teu coração e tuas mãos.Por isso eu parti.A vida desconhecidaeu a vivi sem ti.A teu lado. Trad.: Nelson Santander Separado La casa se abre…
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James Kirkup – Ursa Maior

Suspensa entre os álamos domesticados no fimda avenida familiar, a UrsaMaior, em sua rede iluminada, balança,como um portão abandonado que nem barra nem convida para entrar,e pendura no poste arqueado sua silhueta de sete pontas. Desenhada com a precisão de um problema desconhecidosolucionado na sala de aula mais alta do céu vazio,ela revela sobre o…
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Eavan Boland – O barógrafo

Encontrei-o no cais,um retângulo de madeira,um barógrafo, sua pena traçando o papel. Trouxe-o para casa para serum registro dos ventos,da pressão crescente, capaz de escrever a sina barométricado nosso cotidiano, lá atrás,num mundo em que carrinhos de livros ao vento junto ao rioprometiam palavras selvagens,mas obedeciam ao censor. Bancos em College Greenregistravam Libras nos livros-caixa,pence…
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Eamon Grennan – Uma manhã

Procurando pedras raras, dei com a lontra mortaapodrecendo na linha da maré, e carreguei pelo resto do dia o odor desta brutaldespedida. Aquele som lancinante e agudo do ostraceiroecoava pela enseada rochosaonde um cormorão se alimentava e submergia na baíae de onde uma garça-real alçou voo de um rochedo onde estivera invisível,pairou um tempo, e…
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Marie Howe – Quantas vezes

Não importa quantas vezes eu tente, não consigo impedir meu pai de entrar no quarto da minha irmã e não consigo ver melhor, inclinando-me daqui para olhar em seus olhos. Está escuro no corredor e todos estão dormindo. Este é o passado onde tudo já está perfeito e nada muda, onde o copo de água…
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Laurie Lee – A sombra abandonada

Percorrendo a sombra abandonadadas habitações da minha infância,meus ouvidos relembram o badalar,ouvindo suas vozes soterradas. Ouço o verão primordial,as margens da aurora iluminadas por aves,o pulsar de sangue da escrevedeira-amareladourando meus olhos de berço. Ouço a lua-de-estanho subire a moeda do crepúsculo cair,o rastejar da geada e o gemidodo degelo e o pio dos piscos…
