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Billy Collins – Pardal de Natal

A primeira coisa que ouvi esta manhãfoi um rápido bater de asas, suave, insistente — asas contra o vidro, como descobrilá embaixo, quando vi o pequeno pássaroamotinando-se na moldura de umajanela alta, tentando lançar-se através do enigma do vidro para a vastidão da luz. Então, um som da garganta do gatoque estava acocorado sobre o…
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Jaime Manrique – O céu sobre a casa de minha mãe

É uma noite de julhoperfumada com gardênias.Brilham a lua e as estrelassem revelar a essência da noite.Ao longo do crepúsculo— com suas gradações cada vez mais intensas de ônix,e o resplendor dourado das estrelas e das sombras —minha mãe arrumou a casa, o jardim, a cozinha.Agora, enquanto ela dorme,eu caminho em seu jardim,imerso no vazio…
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Dan Gerber – No final de setembro

Certa estrela, da qual eu gostava,desapareceu. É possível queeu a tenha perdido. Esquecios nomes das nuvens e árvores e rostos, como canções das quaisremanesce apenas uma duradoura melodia.*Pequeno riacho,sob os salgueiros junto à minha cabana alugada —mais minha do que qualquer outra que eu possa possuir —,diga-me novamente o nome secretoque você murmura enquanto estou…
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Margaret Atwood – Um barco

A noite chega e as colinas adensam-se;desvanecimento rubro e amarelo das folhas.Os gélidos pinheiros se alongam em suas sombras. Abaixo deles, a água silencia,um pôr do sol tremeluzindo nela.Mais um que desce para se juntar aos outros. Agora o lago se expandee se fecha, simultaneamente. A escuridão que se mantém sob a superfície durante o…
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Alison C. Rollins – Para quem me lê agora

Para quem me lê agora depois de Jorge Luis Borges Você é invulnerável.A única constante é a mudança.Tal repetição leva à nostalgiado presente. Tenso e tímidovocê recita este livro de cor. Àscegas, você me confia à memória.O calvo e impertinente filósofosabe que o caráter do homem é o seu destino.Este poema – não vivo, mas…
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Angela Melim – Meu pai nos abandonou

Meu pai nos abandonou.Minha mãe casou e mudou.Vovó morreu.Os irmãos sumiram no mundoou submundo.Sem explicaçãoYvonne nunca mais falou comigoe, para Ronaldo,sou fantasma do passado.Vejo meus filhos já voando.Nem um pássaro na mão. in http://asescolhasafectivas.blogspot.com.br/2007/12/angela-melim-mencionada-por-laura-erber.html REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 26/03/2017
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

(…) ii Não volta mais, aquele voo cego rumo ao que nunca esteve lá, porémsó surge em pleno ar. E não renegoa rota tonta que segui. Ninguémse faz em linhas retas. Todo portoa que se chega é a meta desejada.E o caminho tomado, por mais torto,acaba sempre sendo a exata estradaa dar naquilo que, afinal,…
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Jack Gilbert – O vale abandonado

O retorno imaginado a um vale vazio revela o que a passagem do tempo retirou da paisagem e de quem a habitou. Ausência e memória transformam o lugar abandonado em medida de uma vida desaparecida.
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R. S. Thomas – O campo brilhante

Eu vi o sol avançar atéiluminar um pequeno campopor um momento, segui meu caminhoe o esqueci. Mas aquela era umapérola de grande valor, o único campo comum tesouro dentro dele. Agora perceboque devo dar tudo o que tenhopara possuí-lo. A vida não está em lançar-se para um futuro que se afasta, nem ansiar por um…
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Paulo Henriques Britto – De “Três Epifanias Triviais”

As coisas que te cercam, até ondealcança tua vista, tão passivasem sua opacidade, que te impedemde enxergar o (inexistente) horizonte,que justamente por não serem vivasse prestam para tudo, e nunca pedem nem mesmo uma migalha de atenção,essas coisas que você usa e esqueceassim que larga na primeira mesa —pois bem: elas vão ficar. Você, não.Tudo que…